quarta-feira, 20 de julho de 2011


GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Publicado edital de concurso que vai preencher 21 mil vagas na rede estadual de ensino
Quase 14 mil vagas são para professores que vão atuar na educação básica, com remuneração inicial de R$1.320,00
Já tem data marcada, o próximo concurso público na área da educação para a rede estadual de ensino. Foi publicado nesta terça-feira (12), o edital de concurso que define o preenchimento de vagas em todas as carreiras da educação básica do Estado. Estão disponibilizadas 21.377 vagas, sendo que a maioria delas é para o cargo de Professor de Educação Básica (PEB).
O edital prevê 13.993 vagas para professor nas áreas de Arte, Biologia, Educação Física, Filosofia, Física, Geografia, História, Língua Estrangeira Moderna – Espanhol, Língua Estrangeira Moderna – Inglês, Língua Portuguesa, Matemática, Química, Sociologia e para atuação nos anos iniciais do ensino fundamental. A remuneração mínima prevista em edital para o cargo de PEB é de R$ 1.320,00 para uma jornada de trabalho de 24 horas semanais, no sistema de remuneração por subsídio. As inscrições terão início no dia 20 de setembro e a previsão é de que a primeira etapa do processo seletivo aconteça no dia 08 de janeiro de 2012.
Das vagas disponibilizadas para Professores de Educação Básica, a maioria é para educadores dos anos iniciais do ensino fundamental, 3.551 ao todo. Para se candidatar a uma das vagas nesta função, os interessados devem ter formação superior, com licenciatura plena em Pedagogia ou Normal Superior. Entre as disciplinas específicas, as maiores demandas são para Língua Portuguesa (1.179 vagas) e Matemática (1.476 vagas). Nesse caso, o candidato deve ter formação superior na habilitação em que se candidatar.
Além de professores da educação básica, o edital do concurso disponibiliza vagas para os cargos de Analista Educacional – ANE (378 vagas); Analista Educacional/Inspeção Escolar – ANE/IE (133 vagas); Especialista em Educação Básica – EEB (1.869 vagas); Assistente Técnico Educacional – ATE (603 vagas) e Assistente Técnico de Educação Básica – ATB (4.401 vagas). A jornada de trabalho e a remuneração para esses profissionais variam de acordo com o cargo.
Os candidatos aprovados atuarão no órgão central da Secretaria de Estado de Educação (SEE), em uma das 47 Superintendências Regionais de Ensino (SREs) ou em uma das 3.779 escolas estaduais da rede, de acordo com atribuições do cargo. Todos os aprovados no concurso vão ingressar no Estado recebendo pelo sistema de remuneração por subsídio.
Inscrições

O período de inscrições vai das 10 horas do dia 20 de setembro às 14 horas do dia 19 de outubro. As inscrições devem ser feitas no site da Fundação Carlos Chagas, organizadora do Concurso, por meio do site www.concursosfcc.com.br. O valor da inscrição varia de R$ 37,41 a R$ 47,41, de acordo com o cargo pretendido pelo candidato. Para o Professor de Educação Básica, por exemplo, o valor da inscrição é de R$ 47,41. No ato da inscrição, o interessado deve informar o município no qual pretende concorrer à vaga.
O comprovante de inscrição, com o horário e local de realização das provas, será disponibilizado no mínimo cinco dias antes da primeira etapa pela Fundação Carlos Chagas, em sua página. Os candidatos que não possuem computadores poderão utilizar as máquinas disponíveis nas SREs.O candidato comprovadamente desempregado poderá solicitar a isenção da taxa de inscrição, entre às 10 horas do dia 08 de agosto às 14 horas do dia 12 de agosto.

Provas
O concurso público será realizado em duas etapas. Na primeira, de caráter eliminatório e classificatório, o candidato fará prova objetiva. Já a segunda etapa, de caráter classificatório, será destinada a análise de títulos. A prova objetiva será composta de 60 questões de múltipla escolha, sendo 20 de conhecimentos gerais e 40 de conhecimentos específicos, e a previsão é de que ela seja aplicada no dia 08 de janeiro de 2012. As referências para estudo constam do anexo V do edital do concurso. Será considerado aprovado na primeira etapa do processo o candidato que obtiver o mínimo de 50% de acertos nas questões de conhecimentos gerais e 50% nas questões de conhecimentos específicos.
As provas objetivas serão aplicadas em períodos distintos, de acordo com o cargo. Professores da Educação Básica e Analistas Técnicos farão a prova no período da manhã e os demais candidatos farão prova no período da tarde. Os candidatos que concorrerem a vagas na Unidade Central da SEE e SREs metropolitanas A, B e C realizarão as provas em Belo Horizonte. As provas também serão aplicadas em todas as cidades-sede das outras 44 Superintendências, em todas as regiões do Estado. No primeiro dia útil após a aplicação das provas serão apresentadas as datas previstas para divulgação das questões da prova múltipla escolha, dos gabaritos e/ou resultados.
Os candidatos aprovados na primeira etapa serão convocados, com o mínimo de 20 dias de antecedência, para a entrega da documentação. Será considerada a formação acadêmica do candidato de acordo com critérios constantes do anexo VI do edital, que atribui pontos, por exemplo, para cursos de especialização, mestrado e doutorado. No caso de Professor da Educação Básica, será considerado na avaliação de títulos também o tempo de serviço em estabelecimentos privados ou públicos de ensino, de acordo com critérios estabelecidos em edital.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

TEÓRICOS QUE ESTUDAMOS ATÉ AGORA PARA RELEMBRAR (ALGUNS SÃO INÉDITOS MAS VALE LER) POR JOAQUIM SILVA

KARL MANNHEIM (1893-1947)

MANNHEIM E A LUZ NO FIM DO TÚNEL

Mannheim retoma a formulação de Weber sobre os tipos de educação: pedagogias do cultivo e do treinamento. Acrescenta a essa formulação a perspectiva de um programa para a mudança da educação.

+ Fugindo do pessimismo weberiano, propõe que a sociologia sirva de embasamento teórico para educadores e educandos no objetivo de compreenderem a situação educacional moderna.

+ Para Mannhiem o pensamento social não pode explicar a vida humana, mas apenas expressá-la. O papel da teoria é compreender o que as pessoas pensam sobre a sociedade e não o de propor explicações hipotéticas sobre ela.

+ O autor defendia uma sociedade que fosse essencialmente de democrática, uma democracia de bem-estar social dirigida pelo planejamento racional e governada por cientistas.

+ Mannheim:
- Admite que a racionalização da vida levou a um declínio da educação voltada para a formação do homem integral, mas que o arejamento promovido pela democratização das relações sociais permitiu o surgimento de novas esperanças. Nesse sentido, embora o capitalismo tenha gerado desigualdades sociais, o interesse dos jovens das classes inferiores em ascender socialmente à elite, traz ao processo educacional as contribuições culturais das diferentes camadas sociais e intercomunicação entre elas.
- Percebeu a importância da sociologia na modernidade, para o estudo dos fenômenos educacionais, justamente porque a vida baseada na tradição estava se esgotando. Nas épocas históricas dominadas pela tradição (pré-capitalista) a educação resumia-se a ajudar a criança a ajustar-se à ordem social tradicionalmente estabelecida. Valendo-se da influência da psicanálise, observa que tal processo era apenas de assimilação "inconsciente", pela criança, do modelo da ordem vigente. Mas quanto mais a tradição vai sendo substituída pela racionalização da vida, provocada pela consolidação da sociedade industrial, mais os conteúdos educacionais devem ser transmitidos num processo "consciente", em que o educador se aperceba do meio social em que vive e das mudanças pelas quais passa. à Nem os objetivos do processo educacional nem as metas podem ser concebidos sem a consideração do contexto social, pois eles são socialmente orientados.
- Não concordava com a idéia de que a teoria pode existir apenas pela teoria. Achava que a sociologia poderia servir de base para o aprimoramento da educação.

+ 'Queremos compreender nosso tempo, as dificuldades desta Era e como a educação sadia pode contribuir para a regeneração da sociedade e do homem' (Mannheim apud Rodrigues, p.82).

+ Regenerar de quê?
Regenerar a sociedade e o homem dos efeitos perversos que vêm embutidos no processo de racionalização detectado por Weber. Valer-se da compreensão dos diferentes tipos históricos de educação, construídos por Weber, para a montagem de uma pedagogia de dê conta de educar o homem moderno sem arrancar-lhe as possibilidades oferecidas por uma formação integral.
- Para Mannheim:
· Não há porque pensar que a pedagogia do cultivo está condenada à morte. Os modos de vida incutidos por esta educação, voltada para a cultura e a erudição, estavam associados ao poder de certas classes privilegiadas "que dispunham de lazer e de energias excedentes para cultivá-la", e tais classes entraram em declínio com o desenvolvimento do capitalismo e a ascensão da burguesia. Concorda que a educação especializada desintegra a personalidade e a capacidade de compreender de modo mais completo o mundo em que se vive. Mas argumenta que a grande questão educacional da primeira metade do século XX era saber se os valores veiculados por este tipo de formação são exclusivamente dessas classes ociosas ou se podem ser transferidos em alguma media às classe médias e aos trabalhadores.
· O elemento histórico decisivo na abertura das possibilidades na sociedade atual é político: o advento da democracia moderna.

O que seria essa "educação sadia"?
+ Mannheim compreende que:
- Existem tendências no sentido de criar padrões melhores de vida. à Os movimentos da juventude são responsáveis pelo desenvolvimento de um ideal de homem "sincero", interessado numa relação mais autêntica com a natureza e com os outros. A psicanálise é responsável por um novo padrão de vida, com saúde mental, capaz de deixar o homem livre das repressões adquiridas na formação.
- A modernidade não tem apenas custos, ou ameaças à liberdade. Ela traz também esperanças e valores sociais solidários, abertos.
A principal contribuição de todas as que a moderna democracia é capaz de oferecer é a possibilidade de que todas as camadas sociais venham a contribuir com o processo educacional. E a sociologia é a disciplina, em sua visão, capaz de fazer a síntese dessas contribuições. Por isso é tão importante, para ele, que a sociologia sirva de base à pedagogia. (p.83).

Mannheim era um homem de seu tempo, em busca de um programa de estudos em sociologia da educação que possibilitasse a formulação de projetos educacionais que ampliassem o horizonte do homem, que superasse as divisões em blocos políticos e ideológicos, que não o satisfaziam. (...) (p.83).

BIBLIOGRAFIARODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da Educação. 6. ed. Rio de Janeiro: lamparina, 2007.

PIERRE BOURDIEU (1930 -

BOURDIEU E OS ESQUEMAS REPRODUTORES

Questões a refletir a partir do pensamento de Bourdieu: Será que a barreira da dominação social é intransponível? Será que estamos condenados a reproduzir as estruturas indefinidamente?

Bourdieu é um dos principais sociólogos a analisar a educação contemporânea sob a influência do modelo de Durkheim.
+ Para levar a cabo a ambição de Durkheim de unificar as ciências humanas em torno da sociologia, Bourdieu introduziu uma síntese teórica entre o modelo durkheimiano e o estruturalismo.
+ O estruturalismo se conecta à sociologia de Durkheim na medida em que pretende desvendar o peso das estruturas sociais por trás das ações dos sujeitos. (O pensamento de Bourdieu é uma versão mais radical do modelo de Durkheim).

Para o estruturalismo (pensamento de Bourdieu na 1a fase de sua produção, década de 1960) = os sujeitos são uma espécie de marionetes das estruturas dominantes. à Os agentes sociais, mesmo aqueles que pensam estar liberados das determinações sociais, são movidos por forças ocultas, que os estimulam a agir, mesmo que não tenham consciência disso. ("condições objetivas" que o investigador deve desvendar, pois é nelas que residem as explicações)

+ Bourdieu compreende que: a teoria de Durkheim e o estruturalismo permitem demonstrar como os indivíduos, em sua ação, apenas reproduzem as orientações determinadas pela estrutura social vigente.

+ Para Bourdieu: Os sujeitos da ação estão ausentes daquele nível da sociedade em que são objetivamente determinadas as suas ações. O sujeito não existe. O que chamamos de ação, é o processo pelo qual as estruturas se reproduzem. O sujeito está submetido aos desígnios da sociedade, faz o que as estruturas determinam, não sabe disso e ainda é iludido pelos discursos dominantes, que o fazem pensar que sua ação é resultante de vontade própria.

+ Bourdieu e Passeron (em 1964) os herdeiros, livro no qual pretendiam combater uma idéia muito comum na França da época, segundo a qual os estudantes e o meio estudantil seriam uma classe social à parte na sociedade. E seriam responsáveis, em razão de sua juventude e de sua disposição para a ação, pela liderança da transformação social.

+ Em maio de 1968, em Paris, estudantes franceses saíram às ruas, culminando num processo de mobilização que teria um alcance bem maior do que a capital francesa.Ironicamente o livro serviu como estímulo para essas mesmas revoltas estudantis (por seu aspecto crítico).

+ Idéias presentes no livro os herdeiros:
- Discordam do discurso dominante segundo o qual a conquista de uma "escola para todos", de caráter igualitário, tornaria possível a realização das potencialidades humanas.
- Compreendem que a instituição escolar dissimula por trás de sua aparente neutralidade a reprodução das relações sociais e de poder vigentes: encobertos sob as aparências de critérios puramente escolares, estão critérios sociais de triagem e de seleção dos indivíduos para ocupar determinados postos na vida.
- Entendem que não há qualquer possibilidade de romper com as estruturas de reprodução e afirmam que as teorias pedagógicas são uma cortina de fumaça que procura ocultar o poder reprodutor do sistema que está nas mãos dos educadores. (Para os autores não há saída: o sistema de ensino filtra os alunos sem que eles se dêem conta e, com isso, reproduz as relações vigentes. Não há possibilidade de mudança).

+ 1970: Bourdieu e Passeron refinam suas idéias, incorporando sistematicamente as idéias e Marx e Max Weber, publicando o livro "A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino".
- Tese central do referido livro: toda ação pedagógica é, objetivamente, uma violência simbólica.
· Violência simbólica = imposição arbitrária que, no entanto, é apresentada àquele que sofre a violência de modo dissimulado, que oculta as relações de força que estão na base de seu poder.
· Ação pedagógica = é uma violência simbólica porque impõe, por um poder arbitrário, um determinado arbitrário cultural.
· Arbitrário cultural = concepção cultural dos grupos e classes dominantes, que é imposta a toda a sociedade por meio do sistema de ensino. Tal imposição não aparece jamais em sua verdade inteira e a pedagogia nunca se realiza enquanto pedagogia, pois se limita à inculcação de valores e normas.

- A ação pedagógica implica o trabalho pedagógico (trabalho de inculcação daquele referido "arbitrário" que deve durar o bastante para que o educando "naturalize" seu conteúdo, encare-o como natural, como evidentemente correto em si mesmo, o bastante para produzir uma "formação durável").
(...) Na media em que o educando interioriza os princípios culturais que lhe são impostos pelo sistema de ensino – de tal modo que, mesmo depois de terminada sua fase de formação escolar, ele os tenha incorporado aos seus próprios valores e seja capaz de reproduzi-los na vida e transmiti-los aos outros – Bourdieu diz que ele adquire um habitus. Uma vez que o arbitrário cultural a ser imposto é incorporado ao habitus do professor, o trabalho pedagógico tende a reproduzir as mesmas condições sociais (de dominação de determinados grupos sobre outros) que deram origem àqueles valores dominantes. (p.74).

+ O que explica, no pensamento de Bourdieu, a desigualdade que está na base do processo de seleção escolar?
- A compreensão de que todo sistema de ensino institucionalizado visa em alguma media realizar de modo organizado e sistemático a inculcação dos valores dominantes e reproduzir as condições de dominação social que estão por trás de sua ação pedagógica.
(...) Os autores, valendo-se de dados empíricos, demonstram que as "condições de classe de origem" dos alunos que entram no sistema de ensino francês determinam tanto a probabilidade de passagem ao nível escolar seguinte, quanto, ainda, o tipo de estabelecimento de ensino ao qual ele tem acesso (se de melhor ou pior qualidade). Tal situação se reproduz, do ensino básico ao médio e ao superior e determina também, no final das contas, a "condição de classe de chagada", deste aluno, isto é, o tipo de habitus que adquiriu, o "capital social" ao qual teve acesso e, em especial, a posição na hierarquia econômica e social a que chegou. (P.74).



REFERÊNCIA
GADOTTI, Moacir. História das idéias pedagógicas. 8. ed. São Paulo: Ática, 2001.

AUGUSTE COMTE (1798-1857)

Pensamento pedagógico positivista
Consolidou a concepção burguesa da educação

Auguste Comte:
– Expoente máximo do positivismo;
– Ao estudar na escola politécnica de Paris, recebe influência de intelectuais como: o matemático Joseph-Louis Lagrange (1736-1813) e o astrônomo Pierre Simon De Laplace (1749-1827)
– Como secretário de Saint-Simon segue a orientação para o estudo das ciências sociais e as idéias de que:
- Os fenômenos sociais, assim como os físicos, podem ser reduzidos a leis;
- Todo conhecimento científico e filosófico deve ter por finalidade o aperfeiçoamento moral e político da humanidade.

– Curso de filosofia, composto de seis volumes e publicados entre 1830 e 1842 é sua principal obra;
– Transforma Clotilde de Vaux, sua segunda esposa, em musa inspiradora de uma nova religião, cujas idéias estão reunidas na obra Política positiva, ou Tratado de sociologia instituindo a religião da humanidade (1851-1854).
– Na segunda parte de sua vida, esforça-se por transformar a ciência em religião, assim como na primeira, procura transformar a ciência em filosofia.
– Combate o espírito religioso, mas acaba propondo a instituição da religião da humanidade para substituir a Igreja.

Algumas idéias de Comte:
+ A derrota do iluminismo e dos ideais revolucionários devia-se à ausência de concepções científicas. A política tinha de ser uma ciência exata.

+ Uma verdadeira ciência deveria analisar todos os fenômenos, incluindo os humanos, como fatos. Necessitava ser uma ciência positiva. Tanto nas ciências naturais quanto nas humanas, dever-se-ia afastar qualquer preconceito ou pressuposto ideológico. A ciência precisava ser neutra.

+ Leis naturais, em harmonia, regeriam a sociedade.

+ A humanidade passou pr três etapas sucessivas:
- O estado teológico: no qual o homem explicava a natureza por agentes sobrenaturais;
- O estado metafísico: no qual tudo se justificava por meio de noções abstratas como essência, substância, causalidade etc;
- O estado positivo: o estado atual, onde se buscam as leis científicas.
(Comte deduziu da Lei dos três estados o sistema educacional à afirmava que em cada homem as fases históricas se reproduziriam: Primeira fase – a aprendizagem não teria um caráter formal. Transformaria gradativamente o fetichismo natural inicial numa concepção abstrata do mundo; Segunda fase – a da adolescência e da juventude, o homem adentraria no estudo sistemático das ciências. Terceira fase – aos pouco o homem na idade madura chegaria ao estado positivo, passando do estado metafísico. Não mais abraçaria a religião de um Deus abstrato, Enlaçaria a religião do Grande ser, que é a humanidade. A educação formaria a solidariedade humana.).

O que observar no pensamento de Comte?
O positivismo representava a doutrina que consolidaria a ordem pública, desenvolvendo nas pessoas uma "sábia resignação" ao seu status quo. Nada de doutrinas críticas, destrutivas, subversivas, revolucionárias como as do iluminismo da Revolução francesa ou as do socialismo.

A lei dos três estados não foi compatível com a evolução dos educandos: os educandos não seguiam uma previsão tão positiva à as crianças não imaginavam forças divinas para explicar o mundo, os jovens não se mostravam afeitos a abstrações metafísicas.


O positivismo, cuja doutrina visava à substituição da manipulação mítica e mágica do real pela visão científica, acabou estabelecendo uma nova fé, a fé na ciência, que subordinou a imaginação científica à pura observação empírica. Seu lema sempre foi "ordem e progresso". Acreditou que para progredir é preciso ordem e que a pior ordem é sempre melhor que qualquer desordem. Portanto, o positivismo tornou-se uma ideologia da ordem da resignação e, contraditoriamente, da estagnação social. (GADOTTI, 2001, p. 110)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
GADOTTI, Moacir. História das idéias pedagógicas. 8. ed. São Paulo: Ática, 2001.

ANTONIO GRAMSCI (1891-1937)

Pensamento pedagógico socialista
Formado no seio do movimento popular pela democratização do ensino. A esse movimento se associaram alguns intelectuais comprometidos com essa causa popular e com a transformação social.
Opõe-se à concepção burguesa da educação, propondo uma educação igual para todos.

Antonio Gramsci:
– Militante e comunista italiano, era filho de camponeses;
– Aos 20 anos foi para Turim e envolveu-se na luta dos trabalhadores;
– Em 1921 ajudou a fundar o Partido Comunista Italiano e se destacou na oposição a Mussolini;
– Preso em 8 de novembro de 1926, produziu na cadeia mais de três mil páginas nas quais, obrigado pela censura carcerária, teve de inventar termos novos para camuflar conceitos que podiam parecer revolucionários demais aos olhos dos censores;
– Morreu aos 46 anos, passando os últimos 10 anos na cadeia e em regime de detenção em hospitais;
– Construiu um conjunto de princípios originais, ultrapassando na linha do pensamento marxista as fronteiras até então fixadas por Marx, Engels e Lênin;
– O princípio educacional que mais prezou foi a capacidade de as pessoas trabalharem intelectual e manualmente numa organização educacional única ligada diretamente às instituições produtivas e culturais;
– Foi histórico defensor da escola socialista à chamava a escola única de escola unitária, evocando a idéia de unidade e centralização democrática.
– Assim como Lênin, considerava o trabalho como um princípio antropológico e educativo básico da formação.
– Criticou a escola tradicional que dividia o ensino em "clássico" e "profissional", o último destinado às "classes instrumentais" e o primeiro às "classes dominantes e aos intelectuais". à Propõe a superação desta divisão, defendendo que uma escola crítica e criativa deve ser ao mesmo tempo "clássica", intelectual e profissional.;
– Postulou a criação de uma nova camada intelectual.

Algumas idéias de Gramsci:
+ Para neutralizar as diferenças, devidos à procedência social, deviam ser criados serviços pré-escolares.
+ A escola deveria ser única, estabelecendo-se uma primeira fase com o objetivo de formar uma cultura geral que harmonizasse o trabalho intelectual e o manual. Na fase seguinte, prevaleceria a participação do adolescente, fomentando-se a criatividade, a autodisciplina e a autonomia. Depois viria a fase da especialização. Nesse processo tornava-se fundamental o papel do professor que devia preparar-se para ser dirigente e intelectual.
+ O desenvolvimento do Estado comunista se ligava intimamente ao da escola comunista: a jovem geração se educaria na prática da disciplina social, para que a realidade comunista se tornasse um fato.
+ O advento da escola unitária significa o início de novas relações entre trabalho intelectual e trabalho industrial na apenas na escola, mas em toda a vida social. O princípio unitário, por isso, refletir-se-á em todos os organismos de cultura, transformando-se e emprestando-lhes um novo conteúdo.
+ Ao contrário do que prega o liberalismo de Rousseau, a coação e a disciplina são necessárias na preparação de uma vida de trabalho, para uma liberdade responsável. (Gramsci, no entanto, se opõe ao autoritarismo irracional à numa relação entre governantes e governados que realiza uma vontade coletiva, a disciplina, para ele, é assimilação consciente e lúcida da diretriz a ser realizada).
+ No mundo moderno a educação técnica, estreitamente ligada ao trabalho industrial, mesmo ao mais primitivo e desqualificado, deve constituir a base do novo tipo intelectual. Da técnica-trabalho, eleva-se à técnica-ciência e à concepção humanista histórica, sem a qual se permanece "especialista" e não se chega a "dirigente" (especialista mais político).
+ o próprio esforço muscular-nervoso, que inova continuamente o mundo físico e social, seria o fundamento de uma nova e integral concepção do mundo. Uma vez o trabalho é uma modalidade de práxis, está é a própria atividade com que o homem se caracteriza e pela qual se apodera do mundo.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
GADOTTI, Moacir. História das idéias pedagógicas. 8. ed. São Paulo: Ática, 2001.

MAX WEBER (1864-1920)

SOCIEDADE, EDUCAÇÃO E DESENCANTAMENTO

As sociologias de Durkheim e Marx, já vimos, partiram da idéia de que só é possível compreender as relações entre os homens se compreendermos a sociedade que os obriga, em níveis e em medidas diversas, a agir de acordo com forças estranhas a suas vontades individuais, e impositivas com relação a elas. (...) (p.51).

+ Para Durkheim a educação é o mecanismo pelo qual o indivíduo torna-se membro da sociedade.
+ Para Marx a sociedade é um mecanismo que, conforme o conteúdo de classe, pode ser utilizado para oprimir ou para emancipar o homem.

A sociologia de Max Weber (1864-1920) aponta para outra compreensão: A sociedade não é apenas uma "coisa" exterior e coercitiva que determina o comportamento dos indivíduos, mas o resultado de inúmeras interações interindividuais. A sociedade não é aquilo que pesa sobre os indivíduos, mas aquilo que se veicula entre eles.

Weber e o pensamento sociológico
+ A sociologia weberiana gira em torno do conceito de "ação social" e do postulado de que a sociologia é uma ciência "compreensiva".
+ Diferentemente das ciências naturais, para as quais os acontecimentos são relativamente independentes do cientista que os analisa, nas ciências sociais os acontecimentos dependem fundamentalmente da postura e da própria ação do investigador. = A realidade não é uma coisa em si. Ela ganha um determinado rosto conforme o olhar que você lança sobre ela.
+ Weber se recusa a tratar os "fatos" sociais como se fossem "coisas". Para ele, as coisas que eu vejo podem ser diferentes das coisas que você vê; pode ser também que as coisas que eu vejo não são coisas para você. A razão disso é que os homens vêem o mundo que os cerca a partir de seus valores.
+ Os valores são compartilhados, mas são introjetados (subjetivados) de modos distintos, conforme o processo de interação em que o indivíduo está inserido.
+ Como Weber concebe a realidade? Como o encontro entre os homens e os valores aos quais eles se vinculam e os quais articulam de modos distintos no plano subjetivo.

+ As ciências sociais (que Weber chama de ciências da cultura) são vistas como a possibilidade de captação da interação entre homens e valores no seio da vida cultural (captação da ação social)

+ Para Weber, como a realidade é infinita, apenas um fragmento de cada vez pode ser objeto do conhecimento. O "todo" (a sociedade) que supostamente pesaria sobre as partes (os indivíduos) é incompreensível se for tratado como um todo, como uma coisa. Este todo reside na interação entre as partes e não é possível conhecer todas elas ao mesmo tempo, porque são muitas e porque se renovam a cada dia.

+ A sociedade, em Weber, não é um bloco, mas uma teia.

+ Na seleção do fragmento a ser investigado estarão presentes os valores do investigador, que faz parte dessa sociedade ou de alguma outra. Trata-se de um processo subjetivo que não compromete a objetividade do conhecimento, desde que o investigador leve em conta, na interpretação das ações e relações, os valores que ele atribui ao próprio ator social (aquele que pratica a ação) e não os seus próprios valores (do investigador).

+ O que pode ser concluído das idéias até agora expostas?
- O trabalho científico é inesgotável, porque o real o é, bem como fragmentário e especializado.
- O objeto das ciências da cultura será a decifração da significação (o sentido) da ação social (as condutas humanas). A única maneira de estudar esse objeto é a compreensão.

Diz o autor que Weber era um pessimista radical, porque: ele achava que o tipo de vida imposto às pessoas no mundo moderno fazia com que a educação deixasse de formar o homem, para simplesmente prepará-lo para desempenhar tarefas na vida.

+ Definição da sociologia compreensiva de Weber...
Ponto de partida: o que é ação social? A ação social ocorre quando um indivíduo leva os outros em consideração no momento de tomar uma atitude, de praticar uma ação.

+ Agir em sociedade implica um certo grau de racionalidade por parte de quem age, e implica no fato de que esta racionalidade de cada indivíduo sempre está referida aos outros indivíduos que os cercam. (Pensamento fundamental para entender Weber).

+ Ação social racional com relação a fins/ Comportamento racional com relação a fins – é aquele que se orienta por meios tidos como adequados (subjetivamente) para obter fins determinados, fins estes tidos como indiscutíveis pelo indivíduo (subjetivamente). Exemplo: Vou à escola pensando em me formar e ganhar dinheiro.
+ Ação social com relação a valores: orienta-se pelos valores familiares ou pelo modo como os incorporamos à nossa hierarquia de valores. Exemplo: Vou à escola porque minha formação familiar deu muita importância aos estudos.
+ Ação social afetiva: Tipo de comportamento no qual somos irracionais. Exemplo: Vou à escola por causa dos amigos, dos professores ou da namorada/namorado.


 

+ Qual, então, é a racionalidade perfeita para Weber?
É a adequação entre os meios de que você se vale para agir e os fins que você objetiva alcançar com esta ação.
Na ação afetiva não levamos em consideração objetivos a serem alcançados nem buscamos utilizar dos melhores meios para isso.

+ Esses tipos de ação não aparecem separados no dia-a-dia. (As razões para ir a uma escola se misturam). O método de Weber consiste em isolar esses tipos "puros" de comportamento. Weber sabe que na prática empírica os tipos puros não existem, mas os constrói para que sirvam de referência.

Weber sistematiza um dos mais importantes métodos de investigação das ciências sociais/ Passo a passo:
1. Construir um tipo ideal "puro" (Weber construía vários tipos de ação social, tipos de dominação política etc). O tipo é uma construção mental feita na cabeça do investigador, a partir da vários exemplos históricos. Ele é um exagero de perfeição que jamais será encontrado na prática.
2. Olhar o mundo social que o cerca, esta teia inesgotável de eventos e processos, e selecionar dele o aspecto a ser investigado (não dá para ser tudo, tem que ser uma coisa de cada vez).
3. Comparar o mundo social empírico como o tipo ideal construído. Aspecto a observar: Ideal não significa desejado, idealizado, idealizar o que seria uma sociedade perfeita. Significa que escolhemos as características mais "puras" dos tipos. (Para Weber, os tipos mais puros de conduta são os mais racionais, no sentido de adequação entre meios e fins).
4. À medida que descrevemos o quanto a realidade se aproxima ou se distancia do tipo puro que construímos, essa realidade se apresenta a nós, se revela em seu caráter mais complexo; os comportamentos vêm à luz revelando a racionalidade e a irracionalidade que os tornou possíveis.

É assim que a ação social racional com relação a fins (aquele caso hipotético em que o indivíduo realizaria um cálculo perfeitamente racional) serve exatamente para que se possa avaliar o alcance, na prática, daquilo que é irracional com relação aos fins a que se propõe aquele que pratica a ação. (...) (pp.56-57).

+ Comportamento subjetivo em Weber não se restringe ao comportamento psíquico. Comportamento subjetivo é comportamento do sujeito da ação, e nenhuma ação é social se não se referir ao comportamento dos outros sujeitos e dos obstáculos que todos enfrentam para levar as suas ações até as últimas conseqüências. Aquilo que é mental, exclusivamente psíquico, para Weber é incompreensível do ponto de vista da sociologia.

+ O que seria, então, a sociologia compreensiva?


 

É a sociologia que se refere à análise dos comportamentos movidos pela racionalidade dos sujeitos com relação aos outros.

+ Para Weber:
- Os comportamentos dos atores são interpretados como sendo dotados de intencionalidade, como sendo ações propriamente ditas.
- O indivíduo constitui o único portador de um comportamento provido de sentido, de intencionalidade. Conceitos como Estado, capitalismo ou Igreja reduzem-se a categorias que se referem a determinados modos de o homem agir em sociedade.
- A tarefa da sociologia é interpretar este agir de modo que ele se torne um agir compreensível, e isto significa, sem exceção, um agir de homens que se relacionam uns com os outros.


O indivíduo e as instituições sociais
+ Para Weber, o indivíduo, no momento do agir, leva em consideração o comportamento dos outros: é isso que faz da ação, uma ação social. Além disso, as normas sociais influenciam o agir do indivíduo na mesma medida em que são resultados do agir dos próprios indivíduos ao longo do tempo. Como entender o funcionamento disso? à Vendo como Weber distingue os conceitos de "comunidade" e "sociedade".

+ Para Weber:
- Agir em comunidade é aquele agir que se baseia nas expectativas que temos com relação ao comportamento dos outros. O agir em comunidade explica-se pela existência objetiva de uma maior ou menor probabilidade de que tais expectativas sejam fundamentadas. Quando agimos racionalmente, esperamos que os outros também ajam assim, para que possamos calcular as possibilidades reais de levarmos nossos objetivos até o fim. O agir em comunidade também pode se fundamentar na expectativa de que os outros dêem determinado peso a certos valores e crenças, ou então na expectativa de que os outros se comportem de um modo regular, na média dos comportamentos geralmente usados para aquela situação. Ou, ainda, de que se comportem de modo emotivo, irracional.


 

EM RESUMO: Agir em comunidade é comportar-se com base na expectativa de que os outros também se comportem de um determinado modo.
- Agir em sociedade é um agir no qual as expectativas se baseiam nos regulamentos sociais vigentes. Exemplo: acredito que alguém não vai matar sua mãe, não apenas porque imagino que goste dela, mas porque tem certeza de que os assassinos são condenados e presos pelo sistema legal vigente. Além de pouco afetivo, praticar este ato seria bastante irracional.

(...) No agir em sociedade, além do indivíduo orientar-se por este tipo de expectativa baseada nos regulamentos, supõe-se que tais regulamentos tenham sido feitos justamente com o objetivo de que os homens ajam segundo suas determinações, e não de outra maneira. (...) (pp.58-59) Exemplo: se um homem praticar sexo com uma menor de 14 anos, não apenas poderá ser malvisto na vizinhança, como pode ser preso.

+ Quando o indivíduo calcula que é melhor agir com base nas regras também porque os outros agem igualmente segundo as regras, ele está agindo em sociedade.
+ As regras funcionam como uma espécie de condensação de expectativas recíprocas e tornam o universo social organizado e inteligível pelos atores individuais. Quando isso ocorre, Weber diz que existe uma ordem social.
+ A validade da norma não se baseia apenas nas expectativas recíprocas. Quanto mais disseminada socialmente estiver a convicção de cada um de que as regras são obrigatórias para eles, melhor fundamentadas serão as expectativas de uns com relação ao comportamento dos outros.
+ Em busca de seus objetivos e levando em consideração a existência das normas, o ator social pode deliberadamente fazer parte de uma coletividade orientada de modo comum por estes referenciais. A esta coletividade Weber dá o nome de associação racional com fins.
+ Uma associação com fins, definida pela existência de regras gerais e de órgãos próprios, quando plenamente desenvolvida, não é uma formação social efêmera. Mesmo renovando-se os sócios a associação permanece, na medida em que as regras e os órgãos permaneçam. Quando isso ocorre, Weber diz que as associações humanas se institucionalizaram.
+ A vida comum em associações permite que sejamos capazes de prever quais serão os passos mais prováveis das outras pessoas; ela torna inteligível o mundo que nos cerca. à Quanto mais as pessoas assimilam subjetivamente a obrigatoriedade das regras, mais a previsibilidade aumenta. A institucionalização se completa quando as pessoas aceitam este quadro normativo.

+ A sociologia de Weber nos faz pensar que embora estejamos obrigados a agir conforme um pacote de regras que regulam a nossa vida, é preciso considerar que essas regras (todas as regras e não apenas as leis e os decretos) foram criadas por indivíduos como nós, em tempos passados, e continuam a ser criadas; e também que elas estão ai para serem mudadas, e portanto todos nós participamos disso.

+ Para Weber, historicamente, as associações políticas humanas, e o Estado em particular, passaram por um processo de institucionalização. Nesse processo, as regras foram se tornando cada vez mais racionais, foram sendo feitas com vistas a fins específicos e estabelecendo os meios mais adequados para levá-los a cabo (punições em dinheiro ou reclusão).

+ Quando as pessoas obedecem às regras não apenas porque temem a punição, mas também porque estão convencidas da necessidade de obedecer, porque introjetaram a norma, Weber diz que a dominação baseia-se no consenso da legitimidade.

O que guardar de tudo o que foi dito até agora?


 

O fundamental não é o fato dos homens serem coagidos, mas sim o fato de agirem racionalmente, e de que esta racionalidade os faz consentirem com a dominação à qual estão sujeitos, para que possam com isso ganhar condições de previsibilidade com relação à ação dos outros homens que estão também sujeitos à mesma relação de dominação e, em decorrência, possam viver em sociedade.

Desencantar o mundo
Para Weber, com a institucionalização: o estabelecimento de uma ordem social "com relação a fins" vai se tornando cada vez mais amplo. O consenso aí construído é obtido mediante regras e mediante coação, e uma crescente transformação com relação a fins se opera na sociedade. (Sentido histórico que Weber chama de racionalização).

A história humana, segundo ele, é um processo de crescente racionalização da vida, de abandono das concepções mágicas e tradicionais como justificativas para o comportamento dos homens e para a administração social. (...) (p.62)

O pensamento acima nos ajuda a compreender o sentido de uma tipologia de Weber sobre os três tipos puros de dominação:
- A dominação tradicional: legitimidade baseada na tradição.
- A dominação carismática: legitimidade baseada no carisma do líder.
- A dominação racional-legal: legitimidade baseada na lei e na racionalidade (adequação entre os meios e fins) que está por trás da lei.

+ Se a associação estatal passa por um processo de racionalização, as formas de dominação no Ocidente caminham, tendencialmente, para o tipo racional-legal.

+ Recapitulando para compreender melhor a idéia de racionalização... à A sociologia de Max Weber parte da ação e da interação dos indivíduos como constitutivas da sociedade. Quanto mais complexas as sociedades (maior sua racionalização), maior o número de regulamentos sociais a serem obedecidos. Quanto mais complexa a sociedade, mais conflitiva tende a ser a interação entre os indivíduos e grupos, uma vez que maiores serão as "constelações de interesses" que se contrapõem e maior também a necessidade de regulamentá-los. Para Weber a complexificação gera conflito, o que por sua fez gera a necessidade da regra.
(...) O ingresso dos indivíduos nesta grande associação, na qual estão obrigados a submeter-se ao poder já instituído, não é voluntário, e as regras são feitas, diz ele, por meio da força, da imposição da vontade de alguns indivíduos e grupos sobre outros indivíduos e grupos: uns mandam, outros obedecem (A esse processo Weber chama de dominação).

+ Para legitimar-se (= garantir a aceitação dos comandados) a dominação se baseia na tradição, no carisma do líder ou na forma do direito racional.

Implicações do pensamento de Weber para a educação:
A educação, para Weber, é o modo pelo qual os homens são preparados para exercer as funções que a transformação causada pela racionalização da vida lhes colocou à disposição.

+ A lógica da racionalidade, da obediência à lei e do treinamento das pessoas para administrar as tarefas burocráticas do estado foi aos poucos se disseminando. Na formação do Estado moderno e do capitalismo moderno, que são inseparáveis um do outro, Weber dá especial atenção a dois aspectos: de um lado, a constituição de um direito racional, um dos pilares do processo de racionalização da vida, e de outro, a constituição de uma administração racional em moldes burocráticos. O direito racional oferece as garantias contratuais e a codificação básica das relações de troca econômica enquanto eu o desenvolvimento da empresa capitalista moderna oferece o modelo para a constituição da empresa de dominação política própria do capitalismo, o Estado burocrático. (p.64)

+ A educação sistemática, para Weber, passou a ser "pacote" de conteúdos e de disposições voltados para o treinamento de indivíduos que tivessem de fato condições de operar essas novas funções, de "pilotar" o Estado, as empresas e a própria política, de um modo "racional". Um dos elementos essenciais na constituição do Estado moderno é a formação de uma administração burocrática em moldes racionais. (...) (p.64) Esse processo só ocorreu de modo completo no Ocidente, com a substituição paulatina de um funcionalismo não especializado por um mais especificamente treinado e politicamente orientado com base em regulamentos racionais.

+ O Oriente aparece como protótipo da administração irracional, pois esteve baseada na concepção mágica de que a virtude do Imperador (Exemplo da China) e dos funcionários, de sua superioridade em matéria literária, para governar.
+ O capitalismo moderno prosperou no Estado racional. Este se funda na burocracia profissional e no direito racional.

Treinar, em vez de cultivar o intelecto
Para Weber:
+ A racionalização e a burocratização alteraram radicalmente os modos de educar. Alteraram também o status, o reconhecimento e o acesso a bens materiais por parte dos indivíduos que se submetem à educação sistemática.
+ Educar no sentido da racionalização passou a ser fundamental para o Estado, porque ele precisa de um direito racional e de uma burocracia montada em moldes racionais.
+ Educar no sentido da racionalização também passou a ser fundamental para empresa capitalista, pois ela se pauta na lógica do lucro, do cálculo de custos e benefícios, e precisa de profissionais treinados para isso.

(...) Mais que profissionais da empresa ou da administração pública, o capitalismo e o Estado capitalista forjaram um novo homem: um homem racional, tendencialmente livre de concepções mágicas, para o qual não existe mais lugar reservado à obediência que não seja a obediência ao direito racional. Para este homem, o mundo perdeu o encantamento. Não é mais o mundo do sobrenatural e dos desígnios de Deus ou dos imperadores.É o mundo do império da lei e da razão. Educar num mundo assim, certamente não é o mesmo que educar antes dessa grande transformação, provocada pelo advento do capitalismo moderno. (pp.65-66).

+ Educação, na medida em que a sociedade se racionaliza, historicamente, torna-se um fator de estratificação social, um meio de distinção, de obtenção de honras, de poder e de dinheiro.

+ No modelo ideal weberiano a educação é socialmente dirigida a três tipos de finalidades:
Despertar o carisma (não constitui propriamente uma pedagogia, pois não se aplica a pessoas comuns, mas apenas àquelas capazes de revelar qualidades mágicas ou dons heróicos: ascetismo mágico antigo e dos heróis guerreiros da Antiguidade e do mundo medieval, que eram educados para adquirir uma "nova alma", renascer);
+ Preparar o aluno para uma conduta de vida (Weber chama de pedagogia do cultivo, pois procura formar um tipo de homem que seja culto, onde o ideal de cultura depende da camada social para a qual o indivíduo está sendo preparado, e que implica em prepará-lo para certos tipos de comportamento interior e exterior);
+ Transmitir conhecimento especializado (Pedagogia do treinamento: Com a racionalização da vida social e a crescente burocratização do aparato público de dominação política e dos aparatos próprios às grandes corporações capitalistas privadas, a educação deixa paulatinamente de ter como meta a qualidade da posição do homem na vida e torna-se cada vez mais um preparo especializado com o objetivo de tornar o indivíduo um perito).

+ Para Weber, além de minimizar a formação humanística de caráter mais integral, a educação racionalizada (pedagogia do treinamento), continua a ser usada como mecanismo de ascensão social e de obtenção de status privado.

+ O capitalismo reduzia tudo, inclusive a educação, à mera busca por riqueza material e status.

Marx via no capitalismo a escravidão do ser humano por meio da alienação do trabalho, e na educação a possibilidade de romper com ela. Weber via na pedagogia do treinamento imposta pela racionalização da vida, o fim da possibilidade de desenvolver o talento humano, em nome da preparação para a obtenção de poder e dinheiro. A racionalização é inexorável, invencível, e a educação especializada, a lógica do treinamento, para Weber, também é. Para ele, não há nada que se possa fazer a respeito. (p.69).

BIBLIOGRAFIA
RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da Educação. 6. ed. Rio de Janeiro: lamparina, 2007.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

KARL HEINRICH MARX (1818-1883)

Pensamento pedagógico socialista
Formado no seio do movimento popular pela democratização do ensino. A esse movimento se associaram alguns intelectuais comprometidos com essa causa popular e com a transformação social.
Opõe-se à concepção burguesa da educação, propondo uma educação igual para todos.

Karl Marx:

– Foi filósofo e economista alemão, ideólogo do comunismo científico e organizador do movimento proletário internacional.
– Nasceu em Treves em 5 de maio de 1818. Filho de um advogado judeu convertido ao protestantismo.
– Cursou as Universidades de Bonn e Berlim, onde estudou Direito, dedicando-se especialmente à história e à filosofia.
– Em Berlim ingressou no grupo chamado "hegelianos de esquerda", que interpretava as idéias de Hegel do ponto de vista revolucionário.
– Não se limitando aos estudos teóricos, desenvolveu, durante toda a sua vida, intensa atividade política, elaborando a doutrina do socialismo.
– Enuncia, ao lado do Engels (1820-1895), os princípios de uma educação pública e socialista;
– Realiza com Engels uma análise sistemática da escola e da educação. à Suas idéias a esse respeito encontram-se disseminadas ao longo de vários de seus trabalhos (a problemática educativa foi colocada de modo ocasional, fragmentário, mas sempre no contexto da crítica das relações sociais e das linhas mestras de sua modificação);


 

Algumas idéias de Marx:
+ Defende, na obra Manifesto do partido comunista (escrito entre 1847 e 1848), a educação pública e gratuita para todas as crianças, baseadas nos princípios:
* da eliminação do trabalho delas na fábrica;
* da associação entre educação e produção material;
* da educação politécnica que leva à formação do homem omnilateral, abrangendo três aspectos: mental, físico e técnico, adequados à idade das crianças, jovens e adultos;


 

* da inseparabilidade da educação e da política, portanto, da totalidade do social e da articulação entre o tempo livre e o tempo de trabalho, isto é, o trabalho, o estudo e o lazer.

+ Defende o trabalho infantil, mas insiste em que este trabalho (útil, de valor social) deva ser regulamentado cuidadosamente, de maneira em que nada se pareça com a exploração infantil capitalista.

Contribuições do Marxismo para a educação:
+ Esclarecimento e compreensão da totalidade social, de que a educação é parte, incluindo as relações de determinação e influência que ela recebe da estrutura econômica.
+ Para ele, a educação do futuro deveria nascer do sistema fabril, associando-se o trabalho produtivo com a escolaridade e a ginástica. Essa educação se constituiria no método para produzir seres humanos integralmente desenvolvidos.
+ A transformação educativa deveria ocorrer paralelamente à revolução social. Para o desenvolvimento total do homem e a mudança das relações sociais, a educação deveria acompanhar e acelerar esse movimento, mas não se encarregar exclusivamente de desencadeá-lo, nem de fazê-lo triunfar.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
GADOTTI, Moacir. História das idéias pedagógicas. 8. ed. São Paulo: Ática, 2001.

ÉMILE DURKHEIM (1858-1917)

Pensamento pedagógico positivista
Consolidou a concepção burguesa da educação.


 



– Um dos principais expoentes na sociologia da educação positivista/mestre da sociologia positivista moderna;
– Nasceu na França, de uma família de rabinos;
– É mais conhecido como sociólogo, mas também foi pedagogo e filósofo;
– Pai do realismo sociológico, explica o social pelo social, como realidade autônoma;
– Tratou em especial dos problemas morais (o papel que desempenham, como se formam e se desenvolvem), concluindo que a moral começa concomitantemente à vinculação com o grupo;
– Considerava a educação como imagem e reflexo da sociedade, como um fato fundamentalmente social.

Algumas idéias de Durkheim:
+ A primeira e mais fundamental regra é considerar os fatos sociais como coisas. à A sociedade se comparava a um animal: possui um sistema de órgãos diferentes onde cada um desempenha um papel específico. Alguns órgãos seriam naturalmente mais privilegiados do que outros. Esse privilégio, por ser natural, representaria um fenômeno normal, como em todo organismo vivo onde predomina a lei da sobrevivência dos mais aptos e a luta pela vida.

+ O homem nasce egoísta e só a sociedade, por meio da educação, pode torná-lo solidário. à A educação é ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social.

+ A educação é um esforço contínuo para preparar as crianças para a vida em comum. à Daí a necessidade de impor às crianças maneiras adequadas de ver, sentir e agir, às quais elas não chegariam espontaneamente.

+ Os fins da educação devem ser determinados pela sociologia. Pedagogia e educação não representam mais do que um anexo da sociedade e da sociologia, portanto, deveriam existir sem autonomia.

+ Por meio da educação deve-se suscitar e desenvolver na criança certo número de estados físicos, intelectuais e morais, exigidos pela sociedade política no conjunto e pelo meio espacial a que ela particularmente se destina.

O que observar no pensamento de Durkheim?
Assim como em Comte, o pensamento de Durkheim revela o caráter conservador e reacionário da tendência positivista na educação.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A educação, o magistério e a eleição de Tiririca

Joaquim Silva

Minha recomendação:

"Pensem e repensem sobre o que é a educação e o processo de educar. Sobre o que é o ensinar e o aprender. Tiririca representa hoje, o que foi a educação de ontem. É evidente que ele foi preparado durante esse tempo em que se discutia se ele era ou não alfabetizado, para fazer uma provinha de ditado. Pobre país, pobre educação, quando se dá a chance de um ANALFABETO, assumir uma cadeira de deputado Federal. Pobre país que faz da ignorância e do despreparo, uma palhaçada servil a desserviço da sociedade e dos anseios dos eleitores que mais uma vez mostraram não saber votar. Pobre país que se vê na obrigação de votar, por votar. Onde não há a mínima consciência de como votar, em quem votar e por que votar. Esse é o Brasil, essas são as pessoas com que teremos de trabalhar para mudar o mundo, esse é o nosso desafio como educadores, para que não haja mais Tiriricas em nosso país. Pobre país."

Joaquim Silva

Tiririca passa no teste de leitura, e pode assumir como deputado federal



 

Depois de muita polêmica, a confirmação: Tiririca sabe ler e escrever, e, por isso, pode assumir seu cargo de deputado federal eleito por São Paulo com mais de um milhão de votos.

Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o Tiririca, teve êxito no teste de leitura e escrita feito nesta quinta-feira pela Justiça Eleitoral. Walter de Almeira Guilherme, presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), contou que Tiririca fez um ditado tirado de um livro editado pelo tribunal: "Justiça Eleitoral, uma retrospectiva". A frase ditada foi extraída aleatoriamente de um livro da Justiça Eleitoral. "A promulgação do código eleitoral em fevereiro de 1932 trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral."

Ainda de acordo com o presidente do TRE-SP, Tiririca teve de ler uma notícia de jornal e fazer uma interpretação do que leu e escreveu. As manchetes foram "Procon manda fechar lojas que vendem produtos vencidos" e "O tributo final a Senna".

O presidente do TRE-SP ressaltou, porém, que a decisão sobre a diplomação de Tiririca caberá ao juiz Aloízio Silveira, da primeira zona eleitoral.

A polêmica começou depois de uma reportagem da revista Época, poucas semanas antes da eleição, apontando que Tiririca era analfabeto, de acordo com pessoas que trabalhavam e conviviam com ele. No ato do registro da candidatura, Tiririca, assim como todos os candidatos, entregou um documento atestando que tinha o primeiro grau incompleto, mas que sabia ler e escrever. O documento foi submetido à perícia, que apontou irregularidades na caligrafia - uma pessoa poderia ter escrito por Tiririca. O palhaço se recusou a fazer a perícia do documento, o que foi aceito pelo TRE-SP, já que ninguém é obrigado a produzir uma prova contra si mesmo.

E assim o deputado federal Tiririca será diplomado.

POBRE PAÍS

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Material sobre Célestin Frenet- aula da Conceição- postado por Joaquim

Célestin Freinet - O mestre do trabalho e do bom senso

O educador francês desenvolveu atividades hoje comuns, como as aulas-passeio e o jornal de classe, e criou um projeto de escola popular, moderna e democrática





Biografia

Pastorear ovelhas foi a primeira atividade de Freinet, ainda na sua infância, mas sua primeira opção profissional, na juventude, foi pelo magistério. Autodidata, era um humanista por formação e um militante do cooperativismo.

Embora pacifista, envolveu-se diretamente nas duas Grandes Guerras mundiais.

Pedagogo a partir de sua própria prática viajou muito para conhecer outras experiências pedagógicas, criticando-as e absorvendo delas o que achava positivo.

Elogiado por Jean Piaget (1896-1980), Freinet dispensava teorias psicológicas complexas, mas comungava com esse psicólogo suíço a idéia de que a criança aprende a partir do teste de suas próprias hipóteses.

Conheça, a seguir, alguns dos marcos de sua trajetória.

1896 - Célestin Freinet nasceu na aldeia francesa de Gars, nos Alpes Marítimos, em 15 de outubro. Somente na adolescência transferiu-se para a cidade de Nice, onde iniciou o curso de Magistério na Escola Normal.

1914- 1918 - A Primeira Guerra Mundial, na qual Freinet se alistou, não só afetou seus pulmões, pelo efeito de gases tóxicos, como impediu que concluísse o curso Normal. Por isso começou a lecionar na aldeia de Bar-sur-Loup, em 1920, sem diploma.

1927- Enquanto estudava para obter o diploma, Freinet iniciou suas experiências didáticas, como a Aula-passeio, a Imprensa Escolar e o Livro da Vida. Em 1927, já casado com a artista plástica Elise, com quem trabalhava, editou o livro A Imprensa na Escola, criou a revista La Gerbe (O Ramalhete), com poemas infantis, e fundou a Cooperativa de Ensino Leigo (CEL)

1928 - Freinet e Elise mudaram-se para a vila de Saint-Paul de Vence. Ali criaram técnicas como a Auto-avaliação e o Plano de Trabalho. Crítico das cartilhas, Freinet propôs os Fichários de Consulta e os de Auto-correção.

1929 - As realizações da escola e da cooperativa provocavam reações em Saint-Paul. O intenso movimento postal gerava suspeitas e a hostilidade agravou-se até que, ao fim de cinco anos, Freinet foi exonerado do cargo de professor.

Muitos dos conceitos e atividades escolares idealizados pelo pedagogo francês Célestin Freinet (1896-1966) se tornaram tão difundidos que há educadores que os utilizam sem nunca ter ouvido falar no autor. É o caso das aulas-passeio (ou estudos de campo), dos cantinhos pedagógicos e da troca de correspondência entre escolas. Não é necessário conhecer a fundo a obra de Freinet para fazer bom uso desses recursos, mas entender a teoria que motivou sua criação deverá possibilitar sua aplicação integrada e torná-los mais férteis.

Freinet se inscreve, historicamente, entre os educadores identificados com a corrente da Escola Nova, que, nas primeiras décadas do século 20, se insurgiu contra o ensino
tradicionalista, centrado no professor e na cultura enciclopédica, propondo em seu lugar uma educação ativa em torno do aluno. O pedagogo francês somou ao ideário dos escolanovistas uma visão marxista e popular tanto da organização da rede de ensino como do aprendizado em si. "Freinet sempre acreditou que é preciso transformar a escola por dentro, pois é exatamente ali que se manifestam as contradições sociais", diz Rosa Maria Whitaker Sampaio, coordenadora do pólo São Paulo da Federação Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que congrega seguidores de Freinet.

Na teoria do educador francês, o trabalho e a cooperação vêm em primeiro plano, a ponto de ele defender, em contraste com outros pedagogos, incluindo os da Escola Nova, que "não é o jogo que é natural da criança, mas sim o trabalho". Seu objetivo declarado é criar uma "escola do povo".

Biografia

Célestin Freinet nasceu em 1896 em Gars, povoado na região da Provença, sul da França. Foi pastor de rebanhos antes de começar a cursar o magistério. Lutou na Primeira Guerra Mundial em 1914, quando os gases tóxicos do campo de batalha afetaram seus pulmões para o resto da vida. Em 1920, começou a lecionar na aldeia de Bar-sur-Loup, onde pôs em prática alguns de seus principais experimentos, como a aula-passeio e o livro da vida. Em 1925, filiou-se ao Partido Comunista Francês. Dois anos depois, fundou a Cooperativa do Ensino Leigo, para desenvolvimento e intercâmbio de novos instrumentos pedagógicos. Em 1928, já casado com Élise Freinet (que se tornaria sua parceira e divulgadora), mudou-se para Saint-Paul de Vence, iniciando intensa atividade. Cinco anos depois, foi exonerado do cargo de professor. Em 1935, o casal Freinet construiu uma escola própria em Vence. Durante a Segunda Guerra, o educador foi preso e adoeceu num campo de concentração alemão. Libertado depois de um ano, aderiu à resistência francesa ao nazismo. Recobrada a paz, Freinet reorganizou a escola e a cooperativa em Vence. Em 1956, liderou a vitoriosa campanha 25 Alunos por Classe. No ano seguinte, os seguidores de Freinet fundaram a Federação Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que hoje reúne educadores de cerca de 40 países. Freinet morreu em 1966.

Importância do êxito

Não foi por acaso que Freinet criou uma pedagogia do trabalho. Para ele, a atividade é o que orienta a prática escolar e o objetivo final da educação é formar cidadãos para o trabalho livre e criativo, capaz de dominar e transformar o meio e emancipar quem o exerce. Um dos deveres do professor, segundo Freinet, é criar uma atmosfera laboriosa na escola, de modo a estimular as crianças a fazer experiências, procurar respostas para suas necessidades e inquietações, ajudando e sendo ajudadas por seus colegas e buscando no professor alguém que organize o trabalho.

Outra função primordial do professor, segundo Freinet, é colaborar ao máximo para o êxito de todos os alunos. Diferentemente da maioria dos pedagogos modernos, o educador francês não via valor didático no erro. Ele acreditava que o fracasso desequilibra e desmotiva o aluno, por isso o professor deve ajudá-lo a superar o erro. "Freinet descobriu que a forma mais profunda de aprendizado é o envolvimento afetivo", diz Rosa Sampaio.

Coerência num tempo de extremos

A medida da independência do pensamento de Freinet pode ser deduzida do fato de ele ter sido perseguido, ao longo da vida, por forças políticas de tendências totalmente opostas. Embora pacifista, o educador envolveu-se nas duas grandes guerras mundiais (1914-1918 e 1939-1945). O primeiro conflito ideológico de que participou, no entanto, se deu na cidade de Saint-Paul de Vence, habitada por uma comunidade conservadora, que reprovou seus métodos didáticos e conseguiu que fosse exonerado do cargo de professor, em 1933. Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1940, com a França ocupada pela Alemanha nazista, foi preso como subversivo, tanto por sua filiação ao Partido Comunista como por suas atividades inovadoras no campo pedagógico. Depois do fim da guerra, passou a ser chamado freqüentemente a colaborar com políticas oficiais e foi tachado de pensador burguês pela cúpula do PC, do qual se desligou na década de 1950. Pessoalmente, Freinet nunca abandonou sua crença no socialismo nem seus planos de colaborar para a criação de um ensino de caráter popular na França e em outros países.

Ao lado da pedagogia do trabalho e da pedagogia do êxito, Freinet propôs, finalmente, uma pedagogia do bom senso, pela qual a aprendizagem resulta de uma relação dialética entre ação e pensamento, ou teoria e prática. O professor se pauta por uma atitude orientada tanto pela psicologia quanto pela pedagogia – assim, o histórico pessoal do aluno interage com os conhecimentos novos e essa relação constrói seu futuro na sociedade.

Livre expressão

Esse aspecto muito particular que atribuía ao aprendizado de cada criança é a razão de Freinet não ter criado um método pedagógico rígido, nem uma teoria propriamente científica. Mesmo assim, seu entendimento sobre os mecanismos do aprendizado mereceu elogios do biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), cuja teoria do conhecimento se baseou em minuciosa observação científica.

Freinet dedicou a vida a elaborar técnicas de ensino que funcionam como canais da livre expressão e da atividade cooperativa, com o objetivo de criar uma nova educação. Lançou-se a essa tarefa por considerar a escola de seu tempo uma instituição alienada da vida e da família, feita de dogmas e de acumulação estéril de informação – e, além disso, em geral a serviço apenas das elites. "Freinet colocou professor e alunos no mesmo nível de igualdade e camaradagem", diz Rosa Sampaio. O educador não se opunha, porém, às aulas teóricas.

Cooperação sim, manuais não

Com a intenção de propor uma reforma geral no ensino francês, Freinet reuniu suas experiências didáticas num sistema que denominou Escola Moderna. Entre as principais "técnicas Freinet" estão a correspondência entre escolas (para que os alunos possam não apenas escrever, mas ser lidos), os jornais de classe (mural, falado e impresso), o texto livre (nascido do estímulo para que os alunos registrem por escrito suas idéias, vivências e histórias), a cooperativa escolar, o contato freqüente com os pais (Freinet defendia que a escola deveria ser extensão da família) e os planos de trabalho. O pedagogo era contrário ao uso de manuais em sala de aula, sobretudo as cartilhas, por considerá-los genéricos e alheios às necessidades de expressão das crianças. Defendia que os alunos fossem em busca do conhecimento de que necessitassem em bibliotecas (que deveriam existir na própria escola) e que confeccionassem fichários de consulta e de autocorreção (para exercícios de Matemática, por exemplo). Para Freinet, todo conhecimento é fruto do que chamou de tateamento experimental – a atividade de formular hipóteses e testar sua validade – e cabe à escola proporcionar essa possibilidade a toda criança.

A primeira das novas técnicas didáticas desenvolvidas por Freinet foi a aula-passeio, que nasceu justamente da observação de que as crianças para quem lecionava, que se comportavam tão vividamente quando ao ar livre, pareciam desinteressadas dentro da escola. Uma segunda criação célebre, a imprensa na escola, respondeu à necessidade de eliminar a distância entre alunos e professores e de trazer para a classe a vida "lá fora". "É necessário fazer nossos filhos viver em república desde a escola", escreveu Freinet.

A pedagogia de Freinet se fundamenta em quatro eixos: a cooperação (para construir o conhecimento comunitariamente), a comunicação (para formalizá-lo, transmiti-lo e divulgá-lo), a documentação, com o chamado livro da vida (para registro diário dos fatos históricos), e a afetividade (como vínculo entre as pessoas e delas com o conhecimento).

PEDAGOGIA

O educador francês desenvolveu atividades hoje comuns, como as aulas-passeio e jornal de classe, e criou um projeto de escola moderna e democrática



Freinet se identificava com a corrente da Escola Nova, anti-conservadora

Frases de Célestin Freinet:


“A democracia de amanhã se prepara na democracia da escola”

“Se não encontrarmos respostas adequadas a todas as questões sobre educação, continuaremos a forjar almas de escravos em nossos filhos”


Célestin Freinet nasceu em 1896 em Gars, povoado na reg
ião da Provence, sul da França. Foi pastor de rebanhos antes de começar a cursar o magistério. Lutou na Primeira Guerra Mundial em 1914, quando os gases tóxicos do campo de batalha afetaram seus pulmões para o resto da vida. Em 1920, começou a lecionar na aldeia de Bar-sur-Loup, onde pôs em prática alguns de seus principais experimentos, como a aula-passeio e o livro da vida. Em 1925, filiou-se ao Partido Comunista Francês. Dois anos depois, fundou a Cooperativa do Ensino Leigo, para desenvolvimento e intercâmbio de novos instrumentos pedagógicos. Em 1928, já casado com Élise Freinet (que se tornaria sua parceira e divulgadora), mudou-se para Saint-Paul de Vence, iniciando intensa atividade. Cinco anos depois, foi exonerado do cargo de professor. Em 1935, o casal Freinet construiu uma escola própria em Vence. Durante a Segunda Guerra, o educador foi preso e adoeceu num campo de concentração alemão. Libertado depois de um ano, aderiu à resistência francesa ao nazismo. Recobrada a paz, Freinet reorganizou a escola e a cooperativa em Vence. Em 1956, liderou a vitoriosa campanha 25 Alunos por Classe.
No ano seguinte, os seguidores de Freinet fundaram a Federação Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que hoje reúne educadores de cerca de 40 países. Freinet morreu em 1966.

Muitos dos conceitos e atividades escolares idealizados pelo pedagogo francês Célestin Freinet se tornaram tão difundidos que há educadores que os utilizam sem nunca ter ouvido falar no autor. É o caso das aulas-passeio (ou estudos de campo), dos cantinhos pedagógicos e da troca de correspondência entre escolas. Não é necessário conhecer a fundo a obra de Freinet para fazer bom uso desses recursos, mas entender a teoria que motivou sua criação deverá possibilitar sua aplicação integrada e torná-los mais férteis.

Freinet se inscreve, historicamente, entre os educadores identificados com a corrente da Escola Nova, que, nas primeiras décadas do século 20, se insurgiu contra o ensino tradicionalista, centrado no professor e na cultura enciclopédica, propondo em seu lugar uma educação ativa em torno do aluno. O pedagogo francês somou ao ideário dos escolanovistas uma visão marxista e popular tanto da organização da rede de ensino como do aprendizado em si. “Freinet sempre acreditou que é preciso transformar a escola por dentro, pois é exatamente ali que se manifestam as contradições sociais”, diz Rosa Maria Whitaker Sampaio, coordenadora do pólo São Paulo da Federação Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que congrega seguidores de Freinet.

Na teoria do educador francês, o trabalho e a cooperação vêm em primeiro plano, a ponto de ele defender, em contraste com outros pedagogos, incluindo os da Escola Nova, que “não é o jogo que é natural da criança, mas sim o trabalho”. Seu objetivo declarado é criar uma “escola do povo”.



Importância do êxito

Não foi por acaso que Freinet criou uma pedagogia do trabalho. Para ele, a atividade é o que orienta a prática escolar e o objetivo final da educação é formar cidadãos para o trabalho livre e criativo, capaz de dominar e transformar o meio e emancipar quem o exerce. Um dos deveres do professor, segundo Freinet, é criar uma atmosfera laboriosa na escola, de modo a estimular as crianças a fazer experiências, procurar respostas para suas necessidades e inquietações, ajudando e sendo ajudadas por seus colegas e buscando no professor alguém que organize o trabalho.

Outra função primordial do professor, segundo Freinet, é colaborar ao máximo para o êxito de todos os alunos. Diferentemente da maioria dos pedagogos modernos, o educador francês não via valor didático no erro. Ele acreditava que o fracasso desequilibra e desmotiva o aluno, por isso o professor deve ajudá-lo a superar o erro. “Freinet descobriu que a forma mais profunda de aprendizado é o envolvimento afetivo”, diz Rosa Sampaio.

Ao lado da pedagogia do trabalho e da pedagogia do êxito, Freinet propôs, finalmente, uma pedagogia do bom senso, pela qual a aprendizagem resulta de uma relação
dialética entre ação e pensamento, ou teoria e prática. O professor se pauta por uma atitude orientada tanto pela psicologia quanto pela pedagogia – assim, o histórico pessoal do aluno interage com os conhecimentos novos e essa relação constrói seu futuro na sociedade.

Livre expressão

Esse aspecto muito particular que atribuía ao aprendizado de cada criança é a razão de Freinet não ter criado um método pedagógico rígido, nem uma teoria propriamente científica. Mesmo assim, seu entendimento sobre os mecanismos do aprendizado mereceu elogios do biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), cuja teoria do conhecimento se baseou em minuciosa observação científica.

Freinet dedicou a vida a elaborar técnicas de ensino que funcionam como canais da livre expressão e da atividade cooperativa, com o objetivo de criar uma nova educação. Lançou-se a essa tarefa por considerar a escola de seu tempo uma instituição alienada da vida e da família, feita de dogmas e de acumulação estéril de informação – e, além disso, em geral a serviço apenas das elites. “Freinet colocou professor e alunos no mesmo nível de igualdade e camaradagem”, diz Rosa Sampaio. O educador não se opunha, porém, às aulas teóricas. A primeira das novas técnicas didáticas desenvolvidas por Freinet foi a aula-passeio, que nasceu justamente da observação de que as crianças para quem lecionava, que se comportavam tão vividamente quando ao ar livre, pareciam desinteressadas dentro da escola. Uma segunda criação célebre, a imprensa na escola, respondeu à necessidade de eliminar a distância entre alunos e professores e de trazer para a classe a vida “lá fora”. “É necessário fazer nossos filhos viver em república desde a escola”, escreveu Freinet.

A pedagogia de Freinet se fundamenta em quatro eixos: a cooperação (para construir o co
nhecimento comunitariamente), a comunicação (para formalizá-lo, transmiti-lo e divulgá-lo), a documentação, com o chamado livro da vida (para registro diário dos fatos históricos), e a afetividade (como vínculo entre as pessoas e delas com o conhecimento).



Cooperação sim, manuais não

Com a intenção de propor uma reforma geral no ensino francês, Freinet reuniu suas experiências didáticas num sistema que denominou Escola Moderna. Entre as principais "técnicas Freinet" estão a correspondência entre escolas (para que os alunos possam não apenas escrever, mas ser lidos), os jornais de classe (mural, falado e impresso), o texto livre (nascido do estímulo para que os alunos registrem por escrito suas idéias, vivências e histórias), a cooperativa escolar, o contato freqüente com os pais (Freinet defendia que a escola deveria ser extensão da família) e os planos de trabalho. O pedagogo era contrário ao uso de manuais em sala de aula, sobretudo as cartilhas, por considerá-los genéricos e alheios às necessidades de expressão das crianças. Defendia que os alunos fossem em busca do conhecimento de que necessitassem em bibliotecas (que deveriam existir na própria escola) e que confeccionassem fichários de consulta e de autocorreção (para exercícios de Matemática, por exemplo). Para Freinet, todo conhecimento é fruto do que chamou de tateamento experimental – a atividade de formular hipóteses e testar sua validade – e cabe à escola proporcionar essa possibilidade a toda criança.



Para pensar

A utilização de técnicas desenvolvidas por Freinet, em particular as aulas-passeio e os cantinhos temáticos na sala de aula, não significam por si só que o professor adotou uma prática freinetiana. É preciso lembrar que o educador francês criou tais recursos para atingir um objetivo maior, que é o despertar, nas crianças, de uma consciência de seu meio, incluindo os aspectos sociais, e de sua história. Quando você promove atividades em sua escola, costuma ter consciência de como elas se inserem num plano pedagógico mais amplo?

CÉLESTIN FREINET
NA LUTA POR UMA PEDAGOGIA ALIADA AO MEIO SOCIAL



Resumo
Numa perspectiva contextual, o presente estudo foi realizado a partir das obras básicas e outras leituras do pedagogo francês Celéstin Freinet. Partindo da concepção histórica-crítica, buscou-se elucidar sobre a vida e obra do autor, bem como suas implicações educacionais que desencadearam uma Pedagogia arrojada, antiautoritária, tendo a criança como centralidade da ação educativa. Imprimindo um sentido histórico cultural, verte-se o pensamento para a educação pelo trabalho, baseada no tripé da Pedagogia do Bom Senso, do Trabalho e do Êxito, com características e princípios próprios. A influência do pedagogo, político humanista e autodidata Celéstin Freinet, foi enorme no mundo. Seus colaboradores e seguidores lançaram o movimento "Freinet", que hoje dispõe de uma quantidade enorme de publicações de professores, que junto aos textos de Elise, sua esposa, relatam experiências vivas desde a pré-escola até as universidades espalhadas em várias partes do mundo
(...) nunca poderemos dar esta tarefa por concluída, porque em grande parte ela continuará a ser uma tarefa de adaptação constante; não pode caber a um só homem, por muito genial que ele seja. Deve resultar da colaboração de todos os educadores diretamente interessados na tarefa que encetaram (CÉLESTIN FREINET, 1969)
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Introdução
Na Idade Média gozava de prestígio quem tivesse um bom convívio social. A vida familiar privada não existia, ao contrário, a multidão era a característica social da época. Adultos e crianças conviviam, as brincadeiras eram as mesmas para todos, os jogos de cartas ou de azar eram jogados por adultos e crianças. Estas, participavam das festas junto aos adultos. Não havia preocupação com as particularidades da infância. A criança era um "vir a ser" adulto. A idéia de criança era de um mini adulto e a infância não era respeitada como uma etapa do desenvolvimento do homem.
Ao final da Idade Média, o mundo se transforma, o fortalecimento da indústria e as novas formas de produção buscam um conhecimento mais aprofundado da natureza, um pensamento científico. A ciência e a técnica começam a ser aplicadas na indústria. É a consolidação do modo de produção capitalista. Desmancham-se os ideais da sociedade medieval e suas rígidas estruturas, os fenômenos precisam ser medidos e expressados com exatidão. O indivíduo começa a ser entendido como uma totalidade. É a revalorização do homem que chega questionando os dogmas e defendendo a livre observação do sujeito, retratando assim uma grande preocupação com o conhecimento humano.
Nasce a idéia da infância. Desconhecida na Idade Média onde não se reconhecia a infância como fase específica da vida humana, a criança marca sua presença na história com Rousseau no século XVIII. Rousseau revela a natureza infantil:
ame a infância, estimule seus jogos e encantadores instintos. Considere o homem no homem e a criança na criança. A natureza quer que as crianças sejam crianças antes de serem homens. Se queremos perturbar essa ordem, produziremos frutos precoces sem maturidade nem sabor e que não tardarão a apodrecer; teremos jovens doutores e velhas crianças. (ROSSEAU in ELIAS, 2000)
As idéias de Rousseau marcam uma época e as concepções de educação, pois revelam que a criança tem maneiras de ver, de pensar, de sentir que lhe são próprias. A partir de Rousseau muitos expoentes em educação passaram a estudar a criança, métodos de ensino, concepções de aprendizagem: Pestalozzi, Froebel, Dewey, Montessori, Decroly, Freinet e outros.
Com Freinet, os estudos sobre a criança partem da própria criança. Ele procurou conhecer a maneira de ser e pensar da criança para ajudá-la nas dificuldades quando da estruturação dos próprios conhecimentos. O que a criança diz, o que a criança pergunta, como a criança responde, quais seus centros de interesse, eram o ponto de partida para o trabalho de Freinet, educador infantil.
Este estudo tem como objetivo principal ressaltar as idéias de Celéstin Freinet. Abordaremos sua biografia, a escola pedagógica a qual pertenceu, sua concepção de criança, de educador, a escola do trabalho e do pensamento e métodos pedagógicos.
Freinet diz, quem não volta a ser como criança não entra no mundo encantado da pedagogia. Entrar no mundo das idéias de Freinet é o ponto central deste estudo.
Biografia
Celéstin Freinet foi um professor primário, iniciador de um dos maiores movimentos pedagógicos do século XX. Personalidade múltipla em permanente ebulição, Freinet dizia brincando que "tinha pelo menos vinte idéias novas por dia".
Nasceu em 15 de outubro de 1896, no sul da França, num vilarejo chamado Gars, situado nos Alpes Marítimos. Passou a infância como pastor de rebanhos na Provença, depois foi estudar na Escola Normal de Nice, onde iniciou o curso de magistério. Com a guerra em 1914 interrompeu os estudos, alistou-se e ao participar dos combates, sofreu ações de gases tóxicos que comprometeram seus pulmões.
Depois de passar anos nos hospitais, Freinet não se abateu e decidiu começar sua carreira de professor, em 1920, na Aldeia de Bar-Sur–Loup, numa escola pobre e escura instalada numa casa. Lá começa a sua pedagogia com a ajuda de Elise, a artista, que acaba por se tornar sua esposa, e de muitos colaboradores que propunham e experimentavam suas propostas. Por não ter a experiência pedagógica (não havia nem terminado o magistério), recomeça a estudar sozinho. Tinha uma postura curiosa de anotar tudo que ouvia de seus alunos, registrando as observações que considerava original, o comportamento da criança diante das novas situações, seus sucessos e fracassos. Foi assim que descobriu os interesses e problemas das crianças. Seu desejo de saber mais sobre a educação fez com que passasse a se interessar e estudar Rousseau, Rabelais, Montaigne e, sobretudo, Pestalozzi. Lendo as obras desses autores pôde prestar o exame que o habilitou a exercer o cargo de professor.
Questionador quanto às formas tradicionais de ensino, foi percebendo outras maneiras de melhorar sua prática; procurou um caminho que satisfizesse todas as crianças, sem exceção, com suas diferenças de inteligência, caráter e posição social.
Em 1928, foi para Saint Paul e lá edita o livro "A Imprensa na Escola" e cria a revista "La Gerbe" (O ramalhete) com poemas infantis, funda também a Cooperativa de Ensino Leigo. Mas, em 1933, em função da intensa correspondência decorrente das atividades realizadas na Escola e na Cooperativa, o que gerou desconfiança e hostilidades, Freinet é exonerado do cargo de professor em Saint Paul de Vence, e no ano de 1935 sua escola é oficialmente inaugurada, enquanto Roiman Roland lança a idéia do movimento Frente da Infância.
Logo após o início da 2ª guerra mundial, em 1940, Freinet é preso no campo de concentração de Var, fica gravemente doente, mas mesmo preso dá aulas para os seus companheiros. Sua esposa Elise Freinet luta por sua libertação e após ser solto Celéstin se integra ao movimento da Resistência Francesa.
Em 1947/1948 cria o ICEM (Instituto Cooperativo da Escola Moderna), uma associação pedagógica voltada à pesquisa, que reunia 20 mil participantes. Freinet preocupado com o excesso de crianças em sala de aula lança, em 1956, uma campanha nacional por 25 alunos por classe.
No dia 8 de outubro de 1966, em Vence na sua escola, em meio aos pinheiros, com seus caminhos ladeados de pedra, morre Celéstin Freinet, envolvido pelo cantar dos pássaros em liberdade.
A ESCOLA DE FREINETPrincípios pedagógicos
Centrada na criança, a Pedagogia de Freinet se baseia em alguns princípios como:
Senso cooperativo
Senso de responsabilidade
Sociabilidade
Julgamento pessoal
Autonomia
Expressão
Criatividade
Comunicação
Reflexão individual e coletiva
Afetividade


Pedagogia

Propõe atividades escolares vivas baseadas num tripé que chamou de Pedagogia do Bom Senso, do Trabalho e do Êxito, sempre considerando a criança como centro de sua própria educação.
Sua pedagogia era desenvolvida através de observações da prática. Assim surgem idéias como: da aula-passeio, centro de interesse de cada aluno. Na sala de aula trocavam informações, comparavam e registravam as experiências vivenciadas em forma de textos. Nas aulas de Freinet não havia a separação entre professor e aluno. Influenciado pelas idéias de Ferrer, Freinet destaca a Pedagogia do Trabalho, pois, acreditava que o trabalho é uma ação natural do ser humano. Uma coisa que acontecia naturalmente dentro da sua pedagogia era a interdisciplinaridade, as crianças percebiam que naqueles passeios, entravam em contato com os conhecimentos de Geografia, História, Aritmética, Ciências, e que significavam o despertar para a compreensão do mundo. Afirmava, ainda, que essa proposta de trabalho abriam portas e as paredes deixaram de ser barreiras e a vida entrava dentro da classe junto com a luz do sol..." (FREINET, 1969, p. 21). Com a aula-passeio surgiu uma variável muito importante para o sucesso educacional, a relação escola/comunidade, pois, a cada dia escolhiam para pesquisar algum elemento da comunidade (padeiro, sapateiro, fábricas...).
Dentro da sua pedagogia destacou quatro fases educativas: o período de pré- ensino, reservas de infância / jardins da infância, a escola maternal / infantil e escola primária. Para algumas etapas de ensino Freinet escreveu alguns livros dedicados aos educadores e pais, enfatizando o trabalho no meio natural, tirando daqui a grande simpatia por Rousseau. Celéstin Freinet acreditava nesta educação natural, pois ele foi educado no meio rural, estava com o comportamento e valores do homem do campo incorporado em suas condições de vida, influenciando na sua pedagogia.
As etapas educativas obedecem ao estabelecimento de processo e graduação. Com o pensamento da livre expressão, Freinet não abria caminho só para a questão de respeito ao pensamento e expressão da criança, mas também abria caminho para a livre expressão e pensamento dos professores. Assim todos tinham a oportunidade de apresentar suas idéias e também de divulgar suas experiências.
Desenvolvendo diversas práticas pedagógicas que tinham como objetivo aproximar a escola da vida, Freinet e seus alunos construíram técnicas como:
Aula Passeio: para trazer motivação, ação e vida para a escola.
Texto livre: base da livre expressão que pode ser em forma de desenho, poema ou pintura, onde a criança determina tema e tempo.
Imprensa Escolar: a partir de entrevistas, pesquisas, vivências e aulas passeio, o processo de construção e impressão é coletivo.
Correção: acreditando que "o erro" deva ser trabalhado com a criança para que ela perceba o acerto, faz-se a correção para divulgar o texto coletivamente ou em autocorreção.
Livro de vida: registro da livre expressão que permite a exposição das crianças quanto aos diferentes modos de ver a aula e a vida.
Fichário de consulta: são construídas em sala de aula, pelos professores, na interação com a turma. São exercícios à disposição da criança que se destinam à aquisição dos mecanismos do cálculo, ortografia, história, ciências e etc.
Plano de trabalho: permite a organização dos grupos de alunos para a escolha de estratégias de desenvolvimento das atividades realizadas em grupos, duplas ou individuais. Tem o currículo como ponto de partida e as experiências/aprendizagens são registradas em fichas devidamente elaboradas.
Correspondência Interescolar: os professores se comunicam e organizam a forma e as crianças fazem a atividade como uma aprendizagem da vida cooperativa.
Auto- Avaliação: é o registro do resultado do trabalho da criança. São fichas de auto-avaliação que permite constantes comparações entre os trabalhos realizados. A avaliação do aluno e do professor devem ser feitas regularmente.
As técnicas desenvolvidas por Freinet têm o objetivo de favorecer o desenvolvimento dos métodos naturais da linguagem (desenho,escrita, gramática), da matemática, das ciências naturais e sociais.
Suas técnicas abrem caminhos para que os professores e alunos compartilhem conhecimentos, se expressem livremente buscando a cooperação.
Bem longe de ficarmos satisfeitos com os primeiros sucessos, constrangia-nos as insuficiências e as fraquezas, tínhamos consciência das lacunas a eliminar e não deixávamos de procurar, por tentativas, os ajustamentos materiais e técnicos suscetíveis de tornar mais eficiente todo o nosso sistema educativo. (FREINET,1976)
Dos conceitos da Pedagogia de Freinet destacamos: uma pedagogia de trabalho, onde os alunos aprendem realizando trabalhos; cooperativismo, produto do processo da integração, colaboração e cooperação; métodos de tentativa e erro envolvendo trabalho em grupo.
Concepção de Criança.
Para Freinet, toda criança precisa de brincar, de correr, de respirar, de estar em contato com a natureza e poder agir nela. Toda criança quer conhecer objetos e fenômenos, tocar, experimentar e criar. Compara a criança com uma semente: em solo com luz e nutrientes, busca a luz, a água e tudo o que precisa para germinar e frutificar. Assim a criança é. Em ambientes propícios cresce e se desenvolve muito bem. A educação deve, sim, corresponder a este terreno fértil que, acolhendo as manifestações naturais e espontâneas das crianças, estimula e desenvolve os sentidos, a percepção e a consciência de agir no meio, na interação com seus pares. A criança a todo instante imagina, inventa e cria, daí a necessidade de ser compreendida e orientada mediante uma pedagogia e uma psicologia da construção e do movimento. Isto seria investir no potencial de vida, próprio do funcionamento do nosso organismo.
Se, ao contrário, a criança é impedida de usar sua liberdade e livre expressão, o equilíbrio gerado pelo potencial de vida não pode se cumprir, havendo uma ruptura do equilíbrio necessário.
Toda nossa pedagogia visará, precisamente, conservar e multiplicar esse potencial de vida, que os métodos tradicionais depreciam e por vezes eliminam e cuja persistência e exaltação são como que o próprio barômetro de um método são. (FREINET 1976)
Por muito tempo acreditou-se que a educação começa quando a criança está na idade da consciência e da razão. Freinet afirma que, ao contrário disto, o primeiro ano de vida tem um valor formativo. Desde o seu nascimento, a criança tem o seu potencial de vida. As primeiras reações são puramente fisiológicas e, é agindo e reagindo no meio que o bebê vai perceber quais reações atendem ao seu choro ou ao seu resmungo. A criança vai tateando o meio, uma espécie de reação mecânica que evolui aos poucos para os reflexos mecanizados, ou seja, se as primeiras ações deram certo a tendência do bebê será repeti-las. Percebe-se aqui o valor da experiência: o que deu certo, aproveito. É a permeabilidade à experiência, o primeiro escalão da inteligência.
Coerente com esses princípios que regem a vida, Freinet defende profundamente que a educação não começa na idade da razão ou da consciência, conforme afirmado anteriormente, começa desde que a criança existe. Salienta que se deve cuidar da saúde do bebê quando ainda na vida intra-uterina; cuidar da alimentação, do sono e da higiene quando nasce; e partir para a vida com um potencial de vigor intacto.
É muito importante regrar a criança fazendo-a adquirir automatismos de base, ter ritmos de vida. Os adultos devem investigar quais as reais necessidades das crianças antes de satisfazê-las 'a qualquer custo'. As crianças precisam aprender a esperar, a lidar com as frustrações e a criar hábitos de vida. São valores importantes para a vida em sociedade.
Os grandes exemplos para a formação das crianças não são as palavras as lições de moral das leituras elevadas, mas, sim, as atitudes de vida que os adultos lhes dão: as lições teóricas podem influenciar no intelecto, mas não no comportamento. Como o adulto age com relação à disciplina, ao respeito, à retidão, ao desinteresse ou interesse pela comunidade, esses, sim, são exemplos vivos que estão à frente da palavra.
A educação pelo trabalho

Freinet distingue-se de outros educadores por dar ao trabalho um sentido histórico. Parte do princípio de que as crianças devem ser educadas pelo trabalho, aproveitando-se da necessidade de ação, criação e conquista que cada uma tem. O trabalho é um princípio que educa, uma necessidade da criança e o professor tem por objetivo levar os alunos a compreendê-lo como atividade fundamental do ser humano, entendendo a atividade produtora como constituinte da própria identidade.
Chamo de trabalho a essa atividade que se sente tão intimamente ligada ao ser que se transforma em uma espécie de função, cujo exercício tem por si mesmo sua própria satisfação, inclusive se requer fadiga e sofrimento. (FREINET,1999)
Segundo Freinet, na medida que organizamos o trabalho, teremos resolvido os principais problemas de ordem e disciplina; não de uma ordem e uma disciplina formal e superficial que não se mantém senão por um sistema de sanções, previsto como uma camisa de força, que pesa tanto a quem recebe como ao mestre que a impõe. A preocupação com a disciplina está em razão inversa com a perfeição na organização do trabalho e no interesse dinâmico e ativo dos alunos.
A escola popular do futuro seria a escola do trabalho. O feudalismo teve sua escola feudal; a Igreja manteve uma educação a seu serviço; o capitalismo engendrou uma escola bastarda com sua verborréia humanista, que disfarça sua timidez social e imobilidade técnica. Quando o povo chegar ao poder, terá sua escola e sua pedagogia. Seu acesso já começou. Não esperemos mais para adaptar nossa educação ao novo mundo que está nascendo. (FREINET,1969)
O conceito de Freinet de aprender por grupos de trabalho, tendo o trabalho como o processo de reorganização espontânea de vida na escola e na sociedade, é um princípio no qual o trabalho produtivo é um contínuo ensinar e aprender. Ele critica o trabalho alienado e defende uma educação de caráter politécnico, que permite uma reflexão crítica contra as formas de exploração do trabalho e contra o trabalho fragmentado e alienador. Como necessidade humana, não distingue o trabalho intelectual do manual.
A educação pelo trabalho é mais do que uma vulgar educação pelo trabalho manual, mais do que uma pré-aprendizagem prematura. Ela é assente na tradição, mas prudentemente impregnada pela ciência e a mecânica contemporânea, o ponto de partida de uma cultura cujo centro será o trabalho.(FREINET, 1946, p. 130)
O objetivo da educação pelo trabalho é essencialmente a integração do mesmo, evitar o mecanismo que é embustecedor, tentar restabelecer uma inter dependência entre as diversas funções. Por um lado, a atividade física, por outro, a afetividade e o pensamento.
Concepção de educador
Os professores não são propriamente mestres mas, sobretudo guias, amigos e encorajadores da criança. Estes precisam dar a criança, o viver plenamente como a criança, sem afastá-la do humano e principalmente do social (FREINET, apud.1969)
O papel do professor é permitir que os alunos tomem decisões e que, acima de tudo, sejam responsáveis pelas atitudes assumidas. Para Freinet, o verdadeiro educador não se utiliza da hierarquia professor – aluno para adquirir respeito e confiança. A transmissão de conhecimentos é uma relação de valorização da livre expressão, então, o professor se torna um observador discreto e vigilante sempre pronto para servir nas necessidades do momento.
Dentro da concepção de Freinet, o professor necessita de constantes estudos, intercâmbios e trocas de experiências, assim, fundou o CEL (Cooperativa do Ensino Leigo) com o objetivo de formação, aprimoramento de professores e avaliação das práticas docentes. Estas práticas são avaliadas pelo próprio professor através de uma análise de 30 invariantes. Cada invariante aborda princípios fundamentais da proposta de Freinet. O professor, frente a cada princípio, se posiciona se o executa com freqüência, se oscila, ou se distancia da proposta. As invariantes se subdividem em três blocos:
1º - A Natureza da Criança: são invariantes (propostas) que retratam a verdadeira filosofia de Freinet, a valorização e respeito à criança no seu estado físico, mental e psíquico.
2º - Reações da Criança: são invariantes que realçam a liberdade de ação, de pensamento e escolha dentro da vida educacional das crianças.
3º - Técnicas Educativas: configuram as maneiras de trabalhar, realçando a criticidade, participação e libertação.
Estas invariantes são sinalizadas de verde quando executadas com freqüência, de amarelo quando oscilam e de vermelho quando ainda não conseguiram atingir o objetivo da proposta da invariante. Assim, o professor tem bem claro e objetivo um panorama da sua atuação e também do que deverá melhorar.
Aspectos conclusivos

A pedagogia de Freinet, e a influência do seu movimento dentro da educação, teve continuidade através dos tempos pelos seus seguidores. Sua pedagogia tem grande repercussão, está presente em todos os níveis escolares, do jardim de infância às universidades.
Com um trabalho voltado ao atendimento das necessidades vitais da criança, considera que a escola deva assegurar uma verdadeira formação, que dá o mesmo valor à inteligência verbo – conceitual quanto aos trabalhos manuais.
O educador tem o papel de ajudar a criança a conscientizar-se do seu valor na sociedade e construir sua própria realidade cultural e social.
Para Freinet,

...do mestre se exigiria o preparo para, individual e cooperativamente, em colaboração com os alunos, aperfeiçoar a organização material e a vida comunitária de sua escola; permitir que cada um se entregue ao trabalho-jogo que responda ao máximo às suas necessidades e tendências vitais.( FREINET, 1976)
A proposta pedagógica é construída a partir da materialidade de sua prática de professor primário. É no dia a dia da sala, que Freinet foi elaborando um conjunto de instrumentos e técnicas - o "materialismo escolar". É a partir do enfrentamento material da prática educativa que se elabora " ferramentas de trabalho" que permitirão resolver de maneira provisória as contradições desta prática. Através do projeto político, Freinet pretendia transformar por dentro, a escola, a prática escolar, pois sendo um locus onde se manifesta a contradição social, ela pode se constituir um espaço de conquista de hegemonia para as classes populares. Esse projeto político visa à formação do futuro trabalhador, crítico e organizado, que saberá integrar-se ativamente ao movimento de transformação da sociedade.
Tratamos de ensinar, não o que está previsto pela burguesia, incluído nos métodos, consignado nos manuais, mas o que, sendo fruto do desejo das crianças, pode contribuir para sua elevação no quadro concreto da sua própria classe e da sua própria vida...Não formamos a criança, colocamos à sua disposição o máximo de elementos, o máximo de possibilidades para que, partindo do que ela é, do seu meio, alcance todo o desenvolvimento social e individual de que ela é capaz. (FREINET,1969)