segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Material sobre Célestin Frenet- aula da Conceição- postado por Joaquim

Célestin Freinet - O mestre do trabalho e do bom senso

O educador francês desenvolveu atividades hoje comuns, como as aulas-passeio e o jornal de classe, e criou um projeto de escola popular, moderna e democrática





Biografia

Pastorear ovelhas foi a primeira atividade de Freinet, ainda na sua infância, mas sua primeira opção profissional, na juventude, foi pelo magistério. Autodidata, era um humanista por formação e um militante do cooperativismo.

Embora pacifista, envolveu-se diretamente nas duas Grandes Guerras mundiais.

Pedagogo a partir de sua própria prática viajou muito para conhecer outras experiências pedagógicas, criticando-as e absorvendo delas o que achava positivo.

Elogiado por Jean Piaget (1896-1980), Freinet dispensava teorias psicológicas complexas, mas comungava com esse psicólogo suíço a idéia de que a criança aprende a partir do teste de suas próprias hipóteses.

Conheça, a seguir, alguns dos marcos de sua trajetória.

1896 - Célestin Freinet nasceu na aldeia francesa de Gars, nos Alpes Marítimos, em 15 de outubro. Somente na adolescência transferiu-se para a cidade de Nice, onde iniciou o curso de Magistério na Escola Normal.

1914- 1918 - A Primeira Guerra Mundial, na qual Freinet se alistou, não só afetou seus pulmões, pelo efeito de gases tóxicos, como impediu que concluísse o curso Normal. Por isso começou a lecionar na aldeia de Bar-sur-Loup, em 1920, sem diploma.

1927- Enquanto estudava para obter o diploma, Freinet iniciou suas experiências didáticas, como a Aula-passeio, a Imprensa Escolar e o Livro da Vida. Em 1927, já casado com a artista plástica Elise, com quem trabalhava, editou o livro A Imprensa na Escola, criou a revista La Gerbe (O Ramalhete), com poemas infantis, e fundou a Cooperativa de Ensino Leigo (CEL)

1928 - Freinet e Elise mudaram-se para a vila de Saint-Paul de Vence. Ali criaram técnicas como a Auto-avaliação e o Plano de Trabalho. Crítico das cartilhas, Freinet propôs os Fichários de Consulta e os de Auto-correção.

1929 - As realizações da escola e da cooperativa provocavam reações em Saint-Paul. O intenso movimento postal gerava suspeitas e a hostilidade agravou-se até que, ao fim de cinco anos, Freinet foi exonerado do cargo de professor.

Muitos dos conceitos e atividades escolares idealizados pelo pedagogo francês Célestin Freinet (1896-1966) se tornaram tão difundidos que há educadores que os utilizam sem nunca ter ouvido falar no autor. É o caso das aulas-passeio (ou estudos de campo), dos cantinhos pedagógicos e da troca de correspondência entre escolas. Não é necessário conhecer a fundo a obra de Freinet para fazer bom uso desses recursos, mas entender a teoria que motivou sua criação deverá possibilitar sua aplicação integrada e torná-los mais férteis.

Freinet se inscreve, historicamente, entre os educadores identificados com a corrente da Escola Nova, que, nas primeiras décadas do século 20, se insurgiu contra o ensino
tradicionalista, centrado no professor e na cultura enciclopédica, propondo em seu lugar uma educação ativa em torno do aluno. O pedagogo francês somou ao ideário dos escolanovistas uma visão marxista e popular tanto da organização da rede de ensino como do aprendizado em si. "Freinet sempre acreditou que é preciso transformar a escola por dentro, pois é exatamente ali que se manifestam as contradições sociais", diz Rosa Maria Whitaker Sampaio, coordenadora do pólo São Paulo da Federação Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que congrega seguidores de Freinet.

Na teoria do educador francês, o trabalho e a cooperação vêm em primeiro plano, a ponto de ele defender, em contraste com outros pedagogos, incluindo os da Escola Nova, que "não é o jogo que é natural da criança, mas sim o trabalho". Seu objetivo declarado é criar uma "escola do povo".

Biografia

Célestin Freinet nasceu em 1896 em Gars, povoado na região da Provença, sul da França. Foi pastor de rebanhos antes de começar a cursar o magistério. Lutou na Primeira Guerra Mundial em 1914, quando os gases tóxicos do campo de batalha afetaram seus pulmões para o resto da vida. Em 1920, começou a lecionar na aldeia de Bar-sur-Loup, onde pôs em prática alguns de seus principais experimentos, como a aula-passeio e o livro da vida. Em 1925, filiou-se ao Partido Comunista Francês. Dois anos depois, fundou a Cooperativa do Ensino Leigo, para desenvolvimento e intercâmbio de novos instrumentos pedagógicos. Em 1928, já casado com Élise Freinet (que se tornaria sua parceira e divulgadora), mudou-se para Saint-Paul de Vence, iniciando intensa atividade. Cinco anos depois, foi exonerado do cargo de professor. Em 1935, o casal Freinet construiu uma escola própria em Vence. Durante a Segunda Guerra, o educador foi preso e adoeceu num campo de concentração alemão. Libertado depois de um ano, aderiu à resistência francesa ao nazismo. Recobrada a paz, Freinet reorganizou a escola e a cooperativa em Vence. Em 1956, liderou a vitoriosa campanha 25 Alunos por Classe. No ano seguinte, os seguidores de Freinet fundaram a Federação Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que hoje reúne educadores de cerca de 40 países. Freinet morreu em 1966.

Importância do êxito

Não foi por acaso que Freinet criou uma pedagogia do trabalho. Para ele, a atividade é o que orienta a prática escolar e o objetivo final da educação é formar cidadãos para o trabalho livre e criativo, capaz de dominar e transformar o meio e emancipar quem o exerce. Um dos deveres do professor, segundo Freinet, é criar uma atmosfera laboriosa na escola, de modo a estimular as crianças a fazer experiências, procurar respostas para suas necessidades e inquietações, ajudando e sendo ajudadas por seus colegas e buscando no professor alguém que organize o trabalho.

Outra função primordial do professor, segundo Freinet, é colaborar ao máximo para o êxito de todos os alunos. Diferentemente da maioria dos pedagogos modernos, o educador francês não via valor didático no erro. Ele acreditava que o fracasso desequilibra e desmotiva o aluno, por isso o professor deve ajudá-lo a superar o erro. "Freinet descobriu que a forma mais profunda de aprendizado é o envolvimento afetivo", diz Rosa Sampaio.

Coerência num tempo de extremos

A medida da independência do pensamento de Freinet pode ser deduzida do fato de ele ter sido perseguido, ao longo da vida, por forças políticas de tendências totalmente opostas. Embora pacifista, o educador envolveu-se nas duas grandes guerras mundiais (1914-1918 e 1939-1945). O primeiro conflito ideológico de que participou, no entanto, se deu na cidade de Saint-Paul de Vence, habitada por uma comunidade conservadora, que reprovou seus métodos didáticos e conseguiu que fosse exonerado do cargo de professor, em 1933. Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1940, com a França ocupada pela Alemanha nazista, foi preso como subversivo, tanto por sua filiação ao Partido Comunista como por suas atividades inovadoras no campo pedagógico. Depois do fim da guerra, passou a ser chamado freqüentemente a colaborar com políticas oficiais e foi tachado de pensador burguês pela cúpula do PC, do qual se desligou na década de 1950. Pessoalmente, Freinet nunca abandonou sua crença no socialismo nem seus planos de colaborar para a criação de um ensino de caráter popular na França e em outros países.

Ao lado da pedagogia do trabalho e da pedagogia do êxito, Freinet propôs, finalmente, uma pedagogia do bom senso, pela qual a aprendizagem resulta de uma relação dialética entre ação e pensamento, ou teoria e prática. O professor se pauta por uma atitude orientada tanto pela psicologia quanto pela pedagogia – assim, o histórico pessoal do aluno interage com os conhecimentos novos e essa relação constrói seu futuro na sociedade.

Livre expressão

Esse aspecto muito particular que atribuía ao aprendizado de cada criança é a razão de Freinet não ter criado um método pedagógico rígido, nem uma teoria propriamente científica. Mesmo assim, seu entendimento sobre os mecanismos do aprendizado mereceu elogios do biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), cuja teoria do conhecimento se baseou em minuciosa observação científica.

Freinet dedicou a vida a elaborar técnicas de ensino que funcionam como canais da livre expressão e da atividade cooperativa, com o objetivo de criar uma nova educação. Lançou-se a essa tarefa por considerar a escola de seu tempo uma instituição alienada da vida e da família, feita de dogmas e de acumulação estéril de informação – e, além disso, em geral a serviço apenas das elites. "Freinet colocou professor e alunos no mesmo nível de igualdade e camaradagem", diz Rosa Sampaio. O educador não se opunha, porém, às aulas teóricas.

Cooperação sim, manuais não

Com a intenção de propor uma reforma geral no ensino francês, Freinet reuniu suas experiências didáticas num sistema que denominou Escola Moderna. Entre as principais "técnicas Freinet" estão a correspondência entre escolas (para que os alunos possam não apenas escrever, mas ser lidos), os jornais de classe (mural, falado e impresso), o texto livre (nascido do estímulo para que os alunos registrem por escrito suas idéias, vivências e histórias), a cooperativa escolar, o contato freqüente com os pais (Freinet defendia que a escola deveria ser extensão da família) e os planos de trabalho. O pedagogo era contrário ao uso de manuais em sala de aula, sobretudo as cartilhas, por considerá-los genéricos e alheios às necessidades de expressão das crianças. Defendia que os alunos fossem em busca do conhecimento de que necessitassem em bibliotecas (que deveriam existir na própria escola) e que confeccionassem fichários de consulta e de autocorreção (para exercícios de Matemática, por exemplo). Para Freinet, todo conhecimento é fruto do que chamou de tateamento experimental – a atividade de formular hipóteses e testar sua validade – e cabe à escola proporcionar essa possibilidade a toda criança.

A primeira das novas técnicas didáticas desenvolvidas por Freinet foi a aula-passeio, que nasceu justamente da observação de que as crianças para quem lecionava, que se comportavam tão vividamente quando ao ar livre, pareciam desinteressadas dentro da escola. Uma segunda criação célebre, a imprensa na escola, respondeu à necessidade de eliminar a distância entre alunos e professores e de trazer para a classe a vida "lá fora". "É necessário fazer nossos filhos viver em república desde a escola", escreveu Freinet.

A pedagogia de Freinet se fundamenta em quatro eixos: a cooperação (para construir o conhecimento comunitariamente), a comunicação (para formalizá-lo, transmiti-lo e divulgá-lo), a documentação, com o chamado livro da vida (para registro diário dos fatos históricos), e a afetividade (como vínculo entre as pessoas e delas com o conhecimento).

PEDAGOGIA

O educador francês desenvolveu atividades hoje comuns, como as aulas-passeio e jornal de classe, e criou um projeto de escola moderna e democrática



Freinet se identificava com a corrente da Escola Nova, anti-conservadora

Frases de Célestin Freinet:


“A democracia de amanhã se prepara na democracia da escola”

“Se não encontrarmos respostas adequadas a todas as questões sobre educação, continuaremos a forjar almas de escravos em nossos filhos”


Célestin Freinet nasceu em 1896 em Gars, povoado na reg
ião da Provence, sul da França. Foi pastor de rebanhos antes de começar a cursar o magistério. Lutou na Primeira Guerra Mundial em 1914, quando os gases tóxicos do campo de batalha afetaram seus pulmões para o resto da vida. Em 1920, começou a lecionar na aldeia de Bar-sur-Loup, onde pôs em prática alguns de seus principais experimentos, como a aula-passeio e o livro da vida. Em 1925, filiou-se ao Partido Comunista Francês. Dois anos depois, fundou a Cooperativa do Ensino Leigo, para desenvolvimento e intercâmbio de novos instrumentos pedagógicos. Em 1928, já casado com Élise Freinet (que se tornaria sua parceira e divulgadora), mudou-se para Saint-Paul de Vence, iniciando intensa atividade. Cinco anos depois, foi exonerado do cargo de professor. Em 1935, o casal Freinet construiu uma escola própria em Vence. Durante a Segunda Guerra, o educador foi preso e adoeceu num campo de concentração alemão. Libertado depois de um ano, aderiu à resistência francesa ao nazismo. Recobrada a paz, Freinet reorganizou a escola e a cooperativa em Vence. Em 1956, liderou a vitoriosa campanha 25 Alunos por Classe.
No ano seguinte, os seguidores de Freinet fundaram a Federação Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que hoje reúne educadores de cerca de 40 países. Freinet morreu em 1966.

Muitos dos conceitos e atividades escolares idealizados pelo pedagogo francês Célestin Freinet se tornaram tão difundidos que há educadores que os utilizam sem nunca ter ouvido falar no autor. É o caso das aulas-passeio (ou estudos de campo), dos cantinhos pedagógicos e da troca de correspondência entre escolas. Não é necessário conhecer a fundo a obra de Freinet para fazer bom uso desses recursos, mas entender a teoria que motivou sua criação deverá possibilitar sua aplicação integrada e torná-los mais férteis.

Freinet se inscreve, historicamente, entre os educadores identificados com a corrente da Escola Nova, que, nas primeiras décadas do século 20, se insurgiu contra o ensino tradicionalista, centrado no professor e na cultura enciclopédica, propondo em seu lugar uma educação ativa em torno do aluno. O pedagogo francês somou ao ideário dos escolanovistas uma visão marxista e popular tanto da organização da rede de ensino como do aprendizado em si. “Freinet sempre acreditou que é preciso transformar a escola por dentro, pois é exatamente ali que se manifestam as contradições sociais”, diz Rosa Maria Whitaker Sampaio, coordenadora do pólo São Paulo da Federação Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que congrega seguidores de Freinet.

Na teoria do educador francês, o trabalho e a cooperação vêm em primeiro plano, a ponto de ele defender, em contraste com outros pedagogos, incluindo os da Escola Nova, que “não é o jogo que é natural da criança, mas sim o trabalho”. Seu objetivo declarado é criar uma “escola do povo”.



Importância do êxito

Não foi por acaso que Freinet criou uma pedagogia do trabalho. Para ele, a atividade é o que orienta a prática escolar e o objetivo final da educação é formar cidadãos para o trabalho livre e criativo, capaz de dominar e transformar o meio e emancipar quem o exerce. Um dos deveres do professor, segundo Freinet, é criar uma atmosfera laboriosa na escola, de modo a estimular as crianças a fazer experiências, procurar respostas para suas necessidades e inquietações, ajudando e sendo ajudadas por seus colegas e buscando no professor alguém que organize o trabalho.

Outra função primordial do professor, segundo Freinet, é colaborar ao máximo para o êxito de todos os alunos. Diferentemente da maioria dos pedagogos modernos, o educador francês não via valor didático no erro. Ele acreditava que o fracasso desequilibra e desmotiva o aluno, por isso o professor deve ajudá-lo a superar o erro. “Freinet descobriu que a forma mais profunda de aprendizado é o envolvimento afetivo”, diz Rosa Sampaio.

Ao lado da pedagogia do trabalho e da pedagogia do êxito, Freinet propôs, finalmente, uma pedagogia do bom senso, pela qual a aprendizagem resulta de uma relação
dialética entre ação e pensamento, ou teoria e prática. O professor se pauta por uma atitude orientada tanto pela psicologia quanto pela pedagogia – assim, o histórico pessoal do aluno interage com os conhecimentos novos e essa relação constrói seu futuro na sociedade.

Livre expressão

Esse aspecto muito particular que atribuía ao aprendizado de cada criança é a razão de Freinet não ter criado um método pedagógico rígido, nem uma teoria propriamente científica. Mesmo assim, seu entendimento sobre os mecanismos do aprendizado mereceu elogios do biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), cuja teoria do conhecimento se baseou em minuciosa observação científica.

Freinet dedicou a vida a elaborar técnicas de ensino que funcionam como canais da livre expressão e da atividade cooperativa, com o objetivo de criar uma nova educação. Lançou-se a essa tarefa por considerar a escola de seu tempo uma instituição alienada da vida e da família, feita de dogmas e de acumulação estéril de informação – e, além disso, em geral a serviço apenas das elites. “Freinet colocou professor e alunos no mesmo nível de igualdade e camaradagem”, diz Rosa Sampaio. O educador não se opunha, porém, às aulas teóricas. A primeira das novas técnicas didáticas desenvolvidas por Freinet foi a aula-passeio, que nasceu justamente da observação de que as crianças para quem lecionava, que se comportavam tão vividamente quando ao ar livre, pareciam desinteressadas dentro da escola. Uma segunda criação célebre, a imprensa na escola, respondeu à necessidade de eliminar a distância entre alunos e professores e de trazer para a classe a vida “lá fora”. “É necessário fazer nossos filhos viver em república desde a escola”, escreveu Freinet.

A pedagogia de Freinet se fundamenta em quatro eixos: a cooperação (para construir o co
nhecimento comunitariamente), a comunicação (para formalizá-lo, transmiti-lo e divulgá-lo), a documentação, com o chamado livro da vida (para registro diário dos fatos históricos), e a afetividade (como vínculo entre as pessoas e delas com o conhecimento).



Cooperação sim, manuais não

Com a intenção de propor uma reforma geral no ensino francês, Freinet reuniu suas experiências didáticas num sistema que denominou Escola Moderna. Entre as principais "técnicas Freinet" estão a correspondência entre escolas (para que os alunos possam não apenas escrever, mas ser lidos), os jornais de classe (mural, falado e impresso), o texto livre (nascido do estímulo para que os alunos registrem por escrito suas idéias, vivências e histórias), a cooperativa escolar, o contato freqüente com os pais (Freinet defendia que a escola deveria ser extensão da família) e os planos de trabalho. O pedagogo era contrário ao uso de manuais em sala de aula, sobretudo as cartilhas, por considerá-los genéricos e alheios às necessidades de expressão das crianças. Defendia que os alunos fossem em busca do conhecimento de que necessitassem em bibliotecas (que deveriam existir na própria escola) e que confeccionassem fichários de consulta e de autocorreção (para exercícios de Matemática, por exemplo). Para Freinet, todo conhecimento é fruto do que chamou de tateamento experimental – a atividade de formular hipóteses e testar sua validade – e cabe à escola proporcionar essa possibilidade a toda criança.



Para pensar

A utilização de técnicas desenvolvidas por Freinet, em particular as aulas-passeio e os cantinhos temáticos na sala de aula, não significam por si só que o professor adotou uma prática freinetiana. É preciso lembrar que o educador francês criou tais recursos para atingir um objetivo maior, que é o despertar, nas crianças, de uma consciência de seu meio, incluindo os aspectos sociais, e de sua história. Quando você promove atividades em sua escola, costuma ter consciência de como elas se inserem num plano pedagógico mais amplo?

CÉLESTIN FREINET
NA LUTA POR UMA PEDAGOGIA ALIADA AO MEIO SOCIAL



Resumo
Numa perspectiva contextual, o presente estudo foi realizado a partir das obras básicas e outras leituras do pedagogo francês Celéstin Freinet. Partindo da concepção histórica-crítica, buscou-se elucidar sobre a vida e obra do autor, bem como suas implicações educacionais que desencadearam uma Pedagogia arrojada, antiautoritária, tendo a criança como centralidade da ação educativa. Imprimindo um sentido histórico cultural, verte-se o pensamento para a educação pelo trabalho, baseada no tripé da Pedagogia do Bom Senso, do Trabalho e do Êxito, com características e princípios próprios. A influência do pedagogo, político humanista e autodidata Celéstin Freinet, foi enorme no mundo. Seus colaboradores e seguidores lançaram o movimento "Freinet", que hoje dispõe de uma quantidade enorme de publicações de professores, que junto aos textos de Elise, sua esposa, relatam experiências vivas desde a pré-escola até as universidades espalhadas em várias partes do mundo
(...) nunca poderemos dar esta tarefa por concluída, porque em grande parte ela continuará a ser uma tarefa de adaptação constante; não pode caber a um só homem, por muito genial que ele seja. Deve resultar da colaboração de todos os educadores diretamente interessados na tarefa que encetaram (CÉLESTIN FREINET, 1969)
.
Introdução
Na Idade Média gozava de prestígio quem tivesse um bom convívio social. A vida familiar privada não existia, ao contrário, a multidão era a característica social da época. Adultos e crianças conviviam, as brincadeiras eram as mesmas para todos, os jogos de cartas ou de azar eram jogados por adultos e crianças. Estas, participavam das festas junto aos adultos. Não havia preocupação com as particularidades da infância. A criança era um "vir a ser" adulto. A idéia de criança era de um mini adulto e a infância não era respeitada como uma etapa do desenvolvimento do homem.
Ao final da Idade Média, o mundo se transforma, o fortalecimento da indústria e as novas formas de produção buscam um conhecimento mais aprofundado da natureza, um pensamento científico. A ciência e a técnica começam a ser aplicadas na indústria. É a consolidação do modo de produção capitalista. Desmancham-se os ideais da sociedade medieval e suas rígidas estruturas, os fenômenos precisam ser medidos e expressados com exatidão. O indivíduo começa a ser entendido como uma totalidade. É a revalorização do homem que chega questionando os dogmas e defendendo a livre observação do sujeito, retratando assim uma grande preocupação com o conhecimento humano.
Nasce a idéia da infância. Desconhecida na Idade Média onde não se reconhecia a infância como fase específica da vida humana, a criança marca sua presença na história com Rousseau no século XVIII. Rousseau revela a natureza infantil:
ame a infância, estimule seus jogos e encantadores instintos. Considere o homem no homem e a criança na criança. A natureza quer que as crianças sejam crianças antes de serem homens. Se queremos perturbar essa ordem, produziremos frutos precoces sem maturidade nem sabor e que não tardarão a apodrecer; teremos jovens doutores e velhas crianças. (ROSSEAU in ELIAS, 2000)
As idéias de Rousseau marcam uma época e as concepções de educação, pois revelam que a criança tem maneiras de ver, de pensar, de sentir que lhe são próprias. A partir de Rousseau muitos expoentes em educação passaram a estudar a criança, métodos de ensino, concepções de aprendizagem: Pestalozzi, Froebel, Dewey, Montessori, Decroly, Freinet e outros.
Com Freinet, os estudos sobre a criança partem da própria criança. Ele procurou conhecer a maneira de ser e pensar da criança para ajudá-la nas dificuldades quando da estruturação dos próprios conhecimentos. O que a criança diz, o que a criança pergunta, como a criança responde, quais seus centros de interesse, eram o ponto de partida para o trabalho de Freinet, educador infantil.
Este estudo tem como objetivo principal ressaltar as idéias de Celéstin Freinet. Abordaremos sua biografia, a escola pedagógica a qual pertenceu, sua concepção de criança, de educador, a escola do trabalho e do pensamento e métodos pedagógicos.
Freinet diz, quem não volta a ser como criança não entra no mundo encantado da pedagogia. Entrar no mundo das idéias de Freinet é o ponto central deste estudo.
Biografia
Celéstin Freinet foi um professor primário, iniciador de um dos maiores movimentos pedagógicos do século XX. Personalidade múltipla em permanente ebulição, Freinet dizia brincando que "tinha pelo menos vinte idéias novas por dia".
Nasceu em 15 de outubro de 1896, no sul da França, num vilarejo chamado Gars, situado nos Alpes Marítimos. Passou a infância como pastor de rebanhos na Provença, depois foi estudar na Escola Normal de Nice, onde iniciou o curso de magistério. Com a guerra em 1914 interrompeu os estudos, alistou-se e ao participar dos combates, sofreu ações de gases tóxicos que comprometeram seus pulmões.
Depois de passar anos nos hospitais, Freinet não se abateu e decidiu começar sua carreira de professor, em 1920, na Aldeia de Bar-Sur–Loup, numa escola pobre e escura instalada numa casa. Lá começa a sua pedagogia com a ajuda de Elise, a artista, que acaba por se tornar sua esposa, e de muitos colaboradores que propunham e experimentavam suas propostas. Por não ter a experiência pedagógica (não havia nem terminado o magistério), recomeça a estudar sozinho. Tinha uma postura curiosa de anotar tudo que ouvia de seus alunos, registrando as observações que considerava original, o comportamento da criança diante das novas situações, seus sucessos e fracassos. Foi assim que descobriu os interesses e problemas das crianças. Seu desejo de saber mais sobre a educação fez com que passasse a se interessar e estudar Rousseau, Rabelais, Montaigne e, sobretudo, Pestalozzi. Lendo as obras desses autores pôde prestar o exame que o habilitou a exercer o cargo de professor.
Questionador quanto às formas tradicionais de ensino, foi percebendo outras maneiras de melhorar sua prática; procurou um caminho que satisfizesse todas as crianças, sem exceção, com suas diferenças de inteligência, caráter e posição social.
Em 1928, foi para Saint Paul e lá edita o livro "A Imprensa na Escola" e cria a revista "La Gerbe" (O ramalhete) com poemas infantis, funda também a Cooperativa de Ensino Leigo. Mas, em 1933, em função da intensa correspondência decorrente das atividades realizadas na Escola e na Cooperativa, o que gerou desconfiança e hostilidades, Freinet é exonerado do cargo de professor em Saint Paul de Vence, e no ano de 1935 sua escola é oficialmente inaugurada, enquanto Roiman Roland lança a idéia do movimento Frente da Infância.
Logo após o início da 2ª guerra mundial, em 1940, Freinet é preso no campo de concentração de Var, fica gravemente doente, mas mesmo preso dá aulas para os seus companheiros. Sua esposa Elise Freinet luta por sua libertação e após ser solto Celéstin se integra ao movimento da Resistência Francesa.
Em 1947/1948 cria o ICEM (Instituto Cooperativo da Escola Moderna), uma associação pedagógica voltada à pesquisa, que reunia 20 mil participantes. Freinet preocupado com o excesso de crianças em sala de aula lança, em 1956, uma campanha nacional por 25 alunos por classe.
No dia 8 de outubro de 1966, em Vence na sua escola, em meio aos pinheiros, com seus caminhos ladeados de pedra, morre Celéstin Freinet, envolvido pelo cantar dos pássaros em liberdade.
A ESCOLA DE FREINETPrincípios pedagógicos
Centrada na criança, a Pedagogia de Freinet se baseia em alguns princípios como:
Senso cooperativo
Senso de responsabilidade
Sociabilidade
Julgamento pessoal
Autonomia
Expressão
Criatividade
Comunicação
Reflexão individual e coletiva
Afetividade


Pedagogia

Propõe atividades escolares vivas baseadas num tripé que chamou de Pedagogia do Bom Senso, do Trabalho e do Êxito, sempre considerando a criança como centro de sua própria educação.
Sua pedagogia era desenvolvida através de observações da prática. Assim surgem idéias como: da aula-passeio, centro de interesse de cada aluno. Na sala de aula trocavam informações, comparavam e registravam as experiências vivenciadas em forma de textos. Nas aulas de Freinet não havia a separação entre professor e aluno. Influenciado pelas idéias de Ferrer, Freinet destaca a Pedagogia do Trabalho, pois, acreditava que o trabalho é uma ação natural do ser humano. Uma coisa que acontecia naturalmente dentro da sua pedagogia era a interdisciplinaridade, as crianças percebiam que naqueles passeios, entravam em contato com os conhecimentos de Geografia, História, Aritmética, Ciências, e que significavam o despertar para a compreensão do mundo. Afirmava, ainda, que essa proposta de trabalho abriam portas e as paredes deixaram de ser barreiras e a vida entrava dentro da classe junto com a luz do sol..." (FREINET, 1969, p. 21). Com a aula-passeio surgiu uma variável muito importante para o sucesso educacional, a relação escola/comunidade, pois, a cada dia escolhiam para pesquisar algum elemento da comunidade (padeiro, sapateiro, fábricas...).
Dentro da sua pedagogia destacou quatro fases educativas: o período de pré- ensino, reservas de infância / jardins da infância, a escola maternal / infantil e escola primária. Para algumas etapas de ensino Freinet escreveu alguns livros dedicados aos educadores e pais, enfatizando o trabalho no meio natural, tirando daqui a grande simpatia por Rousseau. Celéstin Freinet acreditava nesta educação natural, pois ele foi educado no meio rural, estava com o comportamento e valores do homem do campo incorporado em suas condições de vida, influenciando na sua pedagogia.
As etapas educativas obedecem ao estabelecimento de processo e graduação. Com o pensamento da livre expressão, Freinet não abria caminho só para a questão de respeito ao pensamento e expressão da criança, mas também abria caminho para a livre expressão e pensamento dos professores. Assim todos tinham a oportunidade de apresentar suas idéias e também de divulgar suas experiências.
Desenvolvendo diversas práticas pedagógicas que tinham como objetivo aproximar a escola da vida, Freinet e seus alunos construíram técnicas como:
Aula Passeio: para trazer motivação, ação e vida para a escola.
Texto livre: base da livre expressão que pode ser em forma de desenho, poema ou pintura, onde a criança determina tema e tempo.
Imprensa Escolar: a partir de entrevistas, pesquisas, vivências e aulas passeio, o processo de construção e impressão é coletivo.
Correção: acreditando que "o erro" deva ser trabalhado com a criança para que ela perceba o acerto, faz-se a correção para divulgar o texto coletivamente ou em autocorreção.
Livro de vida: registro da livre expressão que permite a exposição das crianças quanto aos diferentes modos de ver a aula e a vida.
Fichário de consulta: são construídas em sala de aula, pelos professores, na interação com a turma. São exercícios à disposição da criança que se destinam à aquisição dos mecanismos do cálculo, ortografia, história, ciências e etc.
Plano de trabalho: permite a organização dos grupos de alunos para a escolha de estratégias de desenvolvimento das atividades realizadas em grupos, duplas ou individuais. Tem o currículo como ponto de partida e as experiências/aprendizagens são registradas em fichas devidamente elaboradas.
Correspondência Interescolar: os professores se comunicam e organizam a forma e as crianças fazem a atividade como uma aprendizagem da vida cooperativa.
Auto- Avaliação: é o registro do resultado do trabalho da criança. São fichas de auto-avaliação que permite constantes comparações entre os trabalhos realizados. A avaliação do aluno e do professor devem ser feitas regularmente.
As técnicas desenvolvidas por Freinet têm o objetivo de favorecer o desenvolvimento dos métodos naturais da linguagem (desenho,escrita, gramática), da matemática, das ciências naturais e sociais.
Suas técnicas abrem caminhos para que os professores e alunos compartilhem conhecimentos, se expressem livremente buscando a cooperação.
Bem longe de ficarmos satisfeitos com os primeiros sucessos, constrangia-nos as insuficiências e as fraquezas, tínhamos consciência das lacunas a eliminar e não deixávamos de procurar, por tentativas, os ajustamentos materiais e técnicos suscetíveis de tornar mais eficiente todo o nosso sistema educativo. (FREINET,1976)
Dos conceitos da Pedagogia de Freinet destacamos: uma pedagogia de trabalho, onde os alunos aprendem realizando trabalhos; cooperativismo, produto do processo da integração, colaboração e cooperação; métodos de tentativa e erro envolvendo trabalho em grupo.
Concepção de Criança.
Para Freinet, toda criança precisa de brincar, de correr, de respirar, de estar em contato com a natureza e poder agir nela. Toda criança quer conhecer objetos e fenômenos, tocar, experimentar e criar. Compara a criança com uma semente: em solo com luz e nutrientes, busca a luz, a água e tudo o que precisa para germinar e frutificar. Assim a criança é. Em ambientes propícios cresce e se desenvolve muito bem. A educação deve, sim, corresponder a este terreno fértil que, acolhendo as manifestações naturais e espontâneas das crianças, estimula e desenvolve os sentidos, a percepção e a consciência de agir no meio, na interação com seus pares. A criança a todo instante imagina, inventa e cria, daí a necessidade de ser compreendida e orientada mediante uma pedagogia e uma psicologia da construção e do movimento. Isto seria investir no potencial de vida, próprio do funcionamento do nosso organismo.
Se, ao contrário, a criança é impedida de usar sua liberdade e livre expressão, o equilíbrio gerado pelo potencial de vida não pode se cumprir, havendo uma ruptura do equilíbrio necessário.
Toda nossa pedagogia visará, precisamente, conservar e multiplicar esse potencial de vida, que os métodos tradicionais depreciam e por vezes eliminam e cuja persistência e exaltação são como que o próprio barômetro de um método são. (FREINET 1976)
Por muito tempo acreditou-se que a educação começa quando a criança está na idade da consciência e da razão. Freinet afirma que, ao contrário disto, o primeiro ano de vida tem um valor formativo. Desde o seu nascimento, a criança tem o seu potencial de vida. As primeiras reações são puramente fisiológicas e, é agindo e reagindo no meio que o bebê vai perceber quais reações atendem ao seu choro ou ao seu resmungo. A criança vai tateando o meio, uma espécie de reação mecânica que evolui aos poucos para os reflexos mecanizados, ou seja, se as primeiras ações deram certo a tendência do bebê será repeti-las. Percebe-se aqui o valor da experiência: o que deu certo, aproveito. É a permeabilidade à experiência, o primeiro escalão da inteligência.
Coerente com esses princípios que regem a vida, Freinet defende profundamente que a educação não começa na idade da razão ou da consciência, conforme afirmado anteriormente, começa desde que a criança existe. Salienta que se deve cuidar da saúde do bebê quando ainda na vida intra-uterina; cuidar da alimentação, do sono e da higiene quando nasce; e partir para a vida com um potencial de vigor intacto.
É muito importante regrar a criança fazendo-a adquirir automatismos de base, ter ritmos de vida. Os adultos devem investigar quais as reais necessidades das crianças antes de satisfazê-las 'a qualquer custo'. As crianças precisam aprender a esperar, a lidar com as frustrações e a criar hábitos de vida. São valores importantes para a vida em sociedade.
Os grandes exemplos para a formação das crianças não são as palavras as lições de moral das leituras elevadas, mas, sim, as atitudes de vida que os adultos lhes dão: as lições teóricas podem influenciar no intelecto, mas não no comportamento. Como o adulto age com relação à disciplina, ao respeito, à retidão, ao desinteresse ou interesse pela comunidade, esses, sim, são exemplos vivos que estão à frente da palavra.
A educação pelo trabalho

Freinet distingue-se de outros educadores por dar ao trabalho um sentido histórico. Parte do princípio de que as crianças devem ser educadas pelo trabalho, aproveitando-se da necessidade de ação, criação e conquista que cada uma tem. O trabalho é um princípio que educa, uma necessidade da criança e o professor tem por objetivo levar os alunos a compreendê-lo como atividade fundamental do ser humano, entendendo a atividade produtora como constituinte da própria identidade.
Chamo de trabalho a essa atividade que se sente tão intimamente ligada ao ser que se transforma em uma espécie de função, cujo exercício tem por si mesmo sua própria satisfação, inclusive se requer fadiga e sofrimento. (FREINET,1999)
Segundo Freinet, na medida que organizamos o trabalho, teremos resolvido os principais problemas de ordem e disciplina; não de uma ordem e uma disciplina formal e superficial que não se mantém senão por um sistema de sanções, previsto como uma camisa de força, que pesa tanto a quem recebe como ao mestre que a impõe. A preocupação com a disciplina está em razão inversa com a perfeição na organização do trabalho e no interesse dinâmico e ativo dos alunos.
A escola popular do futuro seria a escola do trabalho. O feudalismo teve sua escola feudal; a Igreja manteve uma educação a seu serviço; o capitalismo engendrou uma escola bastarda com sua verborréia humanista, que disfarça sua timidez social e imobilidade técnica. Quando o povo chegar ao poder, terá sua escola e sua pedagogia. Seu acesso já começou. Não esperemos mais para adaptar nossa educação ao novo mundo que está nascendo. (FREINET,1969)
O conceito de Freinet de aprender por grupos de trabalho, tendo o trabalho como o processo de reorganização espontânea de vida na escola e na sociedade, é um princípio no qual o trabalho produtivo é um contínuo ensinar e aprender. Ele critica o trabalho alienado e defende uma educação de caráter politécnico, que permite uma reflexão crítica contra as formas de exploração do trabalho e contra o trabalho fragmentado e alienador. Como necessidade humana, não distingue o trabalho intelectual do manual.
A educação pelo trabalho é mais do que uma vulgar educação pelo trabalho manual, mais do que uma pré-aprendizagem prematura. Ela é assente na tradição, mas prudentemente impregnada pela ciência e a mecânica contemporânea, o ponto de partida de uma cultura cujo centro será o trabalho.(FREINET, 1946, p. 130)
O objetivo da educação pelo trabalho é essencialmente a integração do mesmo, evitar o mecanismo que é embustecedor, tentar restabelecer uma inter dependência entre as diversas funções. Por um lado, a atividade física, por outro, a afetividade e o pensamento.
Concepção de educador
Os professores não são propriamente mestres mas, sobretudo guias, amigos e encorajadores da criança. Estes precisam dar a criança, o viver plenamente como a criança, sem afastá-la do humano e principalmente do social (FREINET, apud.1969)
O papel do professor é permitir que os alunos tomem decisões e que, acima de tudo, sejam responsáveis pelas atitudes assumidas. Para Freinet, o verdadeiro educador não se utiliza da hierarquia professor – aluno para adquirir respeito e confiança. A transmissão de conhecimentos é uma relação de valorização da livre expressão, então, o professor se torna um observador discreto e vigilante sempre pronto para servir nas necessidades do momento.
Dentro da concepção de Freinet, o professor necessita de constantes estudos, intercâmbios e trocas de experiências, assim, fundou o CEL (Cooperativa do Ensino Leigo) com o objetivo de formação, aprimoramento de professores e avaliação das práticas docentes. Estas práticas são avaliadas pelo próprio professor através de uma análise de 30 invariantes. Cada invariante aborda princípios fundamentais da proposta de Freinet. O professor, frente a cada princípio, se posiciona se o executa com freqüência, se oscila, ou se distancia da proposta. As invariantes se subdividem em três blocos:
1º - A Natureza da Criança: são invariantes (propostas) que retratam a verdadeira filosofia de Freinet, a valorização e respeito à criança no seu estado físico, mental e psíquico.
2º - Reações da Criança: são invariantes que realçam a liberdade de ação, de pensamento e escolha dentro da vida educacional das crianças.
3º - Técnicas Educativas: configuram as maneiras de trabalhar, realçando a criticidade, participação e libertação.
Estas invariantes são sinalizadas de verde quando executadas com freqüência, de amarelo quando oscilam e de vermelho quando ainda não conseguiram atingir o objetivo da proposta da invariante. Assim, o professor tem bem claro e objetivo um panorama da sua atuação e também do que deverá melhorar.
Aspectos conclusivos

A pedagogia de Freinet, e a influência do seu movimento dentro da educação, teve continuidade através dos tempos pelos seus seguidores. Sua pedagogia tem grande repercussão, está presente em todos os níveis escolares, do jardim de infância às universidades.
Com um trabalho voltado ao atendimento das necessidades vitais da criança, considera que a escola deva assegurar uma verdadeira formação, que dá o mesmo valor à inteligência verbo – conceitual quanto aos trabalhos manuais.
O educador tem o papel de ajudar a criança a conscientizar-se do seu valor na sociedade e construir sua própria realidade cultural e social.
Para Freinet,

...do mestre se exigiria o preparo para, individual e cooperativamente, em colaboração com os alunos, aperfeiçoar a organização material e a vida comunitária de sua escola; permitir que cada um se entregue ao trabalho-jogo que responda ao máximo às suas necessidades e tendências vitais.( FREINET, 1976)
A proposta pedagógica é construída a partir da materialidade de sua prática de professor primário. É no dia a dia da sala, que Freinet foi elaborando um conjunto de instrumentos e técnicas - o "materialismo escolar". É a partir do enfrentamento material da prática educativa que se elabora " ferramentas de trabalho" que permitirão resolver de maneira provisória as contradições desta prática. Através do projeto político, Freinet pretendia transformar por dentro, a escola, a prática escolar, pois sendo um locus onde se manifesta a contradição social, ela pode se constituir um espaço de conquista de hegemonia para as classes populares. Esse projeto político visa à formação do futuro trabalhador, crítico e organizado, que saberá integrar-se ativamente ao movimento de transformação da sociedade.
Tratamos de ensinar, não o que está previsto pela burguesia, incluído nos métodos, consignado nos manuais, mas o que, sendo fruto do desejo das crianças, pode contribuir para sua elevação no quadro concreto da sua própria classe e da sua própria vida...Não formamos a criança, colocamos à sua disposição o máximo de elementos, o máximo de possibilidades para que, partindo do que ela é, do seu meio, alcance todo o desenvolvimento social e individual de que ela é capaz. (FREINET,1969)




 

Um comentário:

  1. Sonya diz:
    Gostaria de parabenizá-lo por seu matrial,está riquíssimo, me ajudou muito com suas ideias, era mesmo o que estava precisando para complementar um estudo que estou fazendo... sucesso...

    ResponderExcluir